- Faixa não garante segurança de pedestre

Correio

Dos 157 pedestres mortos no ano passado no asfalto, seis foram atingidos enquanto atravessavam no lugar teoricamente mais seguro

O aumento da morte de pedestres no Distrito Federal não é o único alerta. Das 157 vítimas de 2008, seis perderam a vida durante a travessia da faixa. Em todos os casos, já havia pelo menos um veículo parado quando ocorreram os acidentes. É pior do que 2006, quando 60% dos acidentes ocorreram quando havia outro veículo parado aguardando a vez do pedestre.
As estatísticas do Departamento de Trânsito (Detran) revelam que o número de pedestres mortos na faixa em 2008 (6 casos) foi três vezes maior do que em 2007. A análise também mostra, ano a ano, o percentual de mortos sobre a faixa em relação ao total de pedestres que perderam a vida. Neste caso, 2008 registrou o segundo maior percentual sobre o total de vítimas (3,8%) dos últimos 11 anos, perdendo apenas para 2006.
O desrespeito à faixa de pedestres não pode ser medido apenas pelas multas aplicadas. Mas o fato é que, em 2008, os fiscais do Detran e os policiais do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar aplicaram 3.595 multas a motoristas que não deram preferência a pedestre ou veículo não motorizado. A média foi de quase 10 por dia e representou um aumento de 27% em relação a 2007 (veja quadro).
Conjunto Nacional é um dos pontos críticos - (Monique Renne/CB/D.A Press)
Conjunto Nacional é um dos pontos críticos
O Detran identificou alguns pontos onde o desrespeito é maior. E tem colocado agentes próximos a esses locais para multar os infratores. No Plano Piloto, os pontos críticos são o Conjunto Nacional, as vias W4 e W5 Sul e entre o Cruzeiro e o Sudoeste econômico. Em Taguatinga, a avenida Hélio Prates é outro trecho arriscado pelo grande fluxo de veículos e pedestres. “Tem muita falta de atenção do motorista e um excesso de confiança por parte do pedestre. O sinal de vida com a mão foi uma coisa que inventaram para Brasília, não está no código de trânsito. Mas ajuda o pedestre a ser visto e o motorista a parar a tempo”, considera Silvaim Fonseca, chefe do Departamento de Policiamento e Fiscalização do Detran.
Fonseca alerta que é preciso ter cautela dos dois lados. Especialmente com crianças e idosos, que são mais vulneráveis. “Um veículo leve, a 80km/h, precisa de no mínimo 30 metros para parar. O pedestre confia no primeiro carro e vai atravessando. De outro lado, o motorista precisa estar atento ao que ocorre nas laterais da pista”, diz.
Irresponsabilidade dos motoristas fica evidente  - (Monique Renne/CB/D.A Press)
Irresponsabilidade dos motoristas fica evidente
A aposentada Iracema Martins Machado, 68 anos, entrou para as estatísticas deste ano. Ela morreu ao ser atropelada na marginal da via Estrutural. O condutor estava alcoolizado e, segundo Marcos Martins Machado, 46 anos, um dos filhos da vítima, até a semana passada continuava preso. “É preciso criar leis e adotar medidas, não para punir quem mata o pai ou a mãe da gente. Não quero correr atrás para prender a pessoa que matou meu parente. Quero que a morte dele seja evitada”, defende Marcos Martins.
Educação
Entre as medidas do governo para evitar as mortes nas vias, o diretor de Educação do Trânsito do Detran, Miguel Ramirez Sosa, diz que o órgão tem feito campanhas educativas e oferecido cursos de reciclagem gratuitos para o motorista. Neste mês, haverá campanha de respeito à faixa em todo o DF. “Temos mais de 40 cursos gratuitos que reciclam o condutor. O de direção defensiva, por exemplo, ajuda a evitar acidentes. Tem o curso para quem tem medo de dirigir, de pilotagem para motociclistas, tudo isso é uma forma de educação”, cita Ramirez. 

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