- Para onde caminha Brasília...


Prédios brotam a todo instante em cidades-satélite de Brasília, como Águas Claras, maior canteiro de obras da América Latina. 
Foto: Aldem Bourscheit


Dica do Santini

Fonte: O Eco
Aldem Bourscheit
16/12/2009, 18:01

A construção do caos em Brasília.

Imerso no escândalo de corrupção mais bem filmado da história brasileira, o Distrito Federal também amarga anos de conturbada urbanização, semeando desordem na ocupação da terra e impactos negativos na qualidade do ar, da água e de vida da população. Fontes ouvidas por O Eco comentam as origens do problema e projetam um futuro caótico se esse processo não for contido.

Geógrafo com pós-doutorado na Universidade do Texas (Estados Unidos), Aldo Paviani (75) chegou em Brasília um ano após o fechamento do Congresso pelo AI-5, em 1969, ato que marcaria o início do período mais duro da Ditadura Militar. Desde aqueles dias, acompanha a evolução urbana do Distrito Federal. E não tem gostado do que vê. Ele conta que a ocupação do território é baseada em planos delineados durante o regime e temperados com fortes doses de especulação imobiliária, desrespeito aos limites ambientais da região e dilapidação do Cerrado. "Aqui a primeira coisa que fazem é passar trator, arrancar tudo sem nenhum respeito. Não fica um pé de pau", ressaltou.

“A vegetação não foi tombada, só a cidade (como patrimônio cultural da humanidade, em 1987). Além disso, o Plano Piloto se tornou o centro de tudo, empurrado a população de menor poder aquisitivo para núcleos com baixa oferta de empregos. Isso provoca grande vaivém diário desde as cidades satélites. As autoridades não movem uma palha para descentralizar esse processo. Pelo contrário, criam mais núcleos afastados, elevando o uso do carro, já que o transporte público é completamente ineficiente”, disse Paviani, autor de livros como Controvérsias Ambientais e Moradia e Exclusão.

O Distrito Federal tem hoje mais de 1,1 milhão de veículos – 75% de automóveis. A frota dobrou desde o ano 2000 e cresce em média 0,8% ao mês, ou quase nove mil carros. O Departamento de Trânsito distrital não sabe quantos veículos se deslocam entre cidades-satélite e Plano Piloto. Engarrafamentos diários são registrados em inúmeros pontos nos horários de pico. No início da manhã e fim da tarde, a via “Estrutural” tem funcionado apenas em um sentido para dar conta do enorme número de veículos.

 Um carro parado em um engarrafamento com o motor ligado libera quase dois quilos de Dióxido de Carbono (CO2) por hora. Por essas e outras que a poluição atmosférica na capital federal já preocupa especialistas que acompanham o assunto (veja aqui). “Tamanha movimentação afeta a vida das pessoas, é uma agressão”, ressalta Paviani.


























Estressado










Um dos estressados era Jorge Diehl, funcionário do Banco do Brasil que aportou na capital em 1998, buscando o mito da cidade planejada. Viveu no Plano Piloto com a família até 2005, quando conseguiu comprar um apartamento em Águas Claras. Ficou por lá um ano e meio, depois fugiu do trânsito insuportável e alugou o imóvel, a vinte quilômetros da região central, onde passou a morar. “Para alcançar o Plano Piloto e dentro de Águas Claras o trânsito é caótico. Íamos para lá só para dormir, depois de quase duas horas de engarrafamentos. A cidade se tornou uma selva de pedra”, disse.

Segundo Paviani, situações como essa se repetem em outras cidades-satélite, como Guará e Taguatinga, porque as intenções urbanísticas iniciais morreram sob um manto de improviso e falta de planejamento, cedendo espaço à invasão de terras para formação de condomínios irregulares e à especulação imobiliária que afastou a possibilidade de compra de apartamentos em regiões centrais pela maioria da população.

O primeiro condomínio irregular no Distrito Federal surgiu em 1975. A ocupação desregrada de terras e o crescimento demográfico calcado em migrações se intensificaram a partir de 1988, na primeira das quatro eleições de Joaquim Roriz para o governo distrital. Hoje, são 513, conforme dados da Terracap, empresa oficial de terras.

“Minha estimativa é de que existam quase 650, pois a conta do governo inclui apenas os mais estruturados, com casas e organização condominal. Meu censo também pesa locais onde ruas foram abertas e lotes vendidos, e um grupo difícil de computar, dos condomínios "de gaveta", que não abriram ruas, mas cercaram áreas públicas e têm lotes sendo vendidos”, ressaltou o professor Frederico Flósculo, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília.

Uma grande festa








Marketing: quadrinhos veiculados na edição de novembro da revista Wimóveis. Clique e confira em tamanho maior.

O mercado imobiliário “candango” é o segundo do país, atrás de São Paulo. O último salão de imóveis em Brasília vendeu cerca de 181 milhões de reais em três dias, podendo chegar a 227 milhões pós-salão para 733 unidades e total de 407 milhões até dezembro. Entre os cerca de dez mil imóveis ofertados, os valores variavam de 55 mil a 4 milhões de reais. Há quitinetes no Plano Piloto ofertadas por meio milhão de reais. Um “leque extramamente democrático das ofertas”, comentaram representantes do setor.

Na capital federal e entorno, é possível encontrar condomínios e prédios nomeados como Montparnasse, Ilhabela, Real Paris, Ilhas Maurício, Península e até Super Quadra Atlântica, onde será instalada uma piscina de água salgada ladeada por torres espelhadas, na região já batizada como “Barra da Tijuca do Planalto”. “Brasília está cada vez mais parecida com Dubai, nos Emirados Árabes, totalmente deslocada do ambiente onde está, no Cerrado”, disse Paulo Fiúza, do movimento Cerrado Vivo.

Dados da Terracap mostram que, em dez anos, os valores dos imóveis subiram 1.120% no bairro Sudoeste e 800% em Águas Claras, nesse último principalmente a partir de 2000, quando ali instalaram o metrô. Um investimento e tanto. Já no bairro Noroeste está o metro quadrado mais caro do país, onde apartamentos topsão vendidos por até dois milhões de reais, enquanto que nos lagos Sul e Norte, residências de alta classe passam facilmente dos três milhões de reais. Custa caro viver na capital do Brasil.

Atuando há mais de trinta anos no mercado, a Paulo Octávio Investimentos Imobiliários pertence ao ex-corretor, senador e vice-governador do DF Paulo Octávio. A empresa já construiu e entregou mais de 40 mil unidades residenciais e comerciais na região.

À frente da Fundação Sustentabilidade e Desenvolvimento - FSD, Mônica Veríssimo questiona esse modelo excludente. “Oitenta porcento da demanda habitacional no Distrito Federal é para classe baixa, empurrada para cada vez mais longe da região central”, reclama. Conforme ela, a autonomia das “regiões administrativas”, onde estão as cidades-satélites, abriu as portas ao descontrole sobre a densidade de habitantes e fluxo de carros. “A grande especulação imobiliária pode acabar com o Distrito Federal, pois não há demanda real para moradias com esse valor”, disse.

De acordo com Flósculo, da UnB, um histórico de corrupção e autoritarismo gerou na capital federal um boomimobiliário no pior estilo chinês. “Aqui temos especulação em forma quase pura, com grupos locais e do Sudeste investindo em Brasília para ter lastro para novos investimentos. Esse caso único de território e população corrompidos não é normal ou aceitável, merecia uma CPI”, disse. “É uma pena ver cidade entregue à prostituição imobiliária, quando de início havia planos para abrigar milhões de pessoas de forma democrática e com qualidade de vida”, ressaltou. “Se essa festa continuar, os efeitos serão nefastos para o meio ambiente e vida da população e, no futuro, os mesmos grupos que hoje lucram vão lucrar de novo com a recuperação dos estragos”.

Conceitos e limites








Frederico Flósculo: "Brasília é um mar de lama a mil metros de altitude". Foto: Aldem Bourscheit


Conforme Frederico Flósculo, o modelo de “cidades-parque” copiado no cinquentão Distrito Federal funciona em países como Inglaterra e Estados Unidos porque lá não foi permitida tamanha concentração urbana. Washington, capital norte-americana com 220 anos, tem menos de seiscentos mil moradores. “Seu entorno é estruturado em pequenas cidades onde há empregos, bom nível de renda e qualidade de vida. Aqui não. Aqui onde mora o rei se concentram os privilégios”, comentou.

Segundo o arquiteto e urbanista, o pai de todos os planos de ordenamento da região foi elaborado pelos militares e observou os limites de suprimento de água para estimar uma população distrital máxima de 2,5 milhões de habitantes. Patamar ultrapassado em 2008, e há mais de um milhão de moradores em seu entorno imediato. Flósculo comenta que o projeto urbanístico em curso atua com “estratificação de classes sociais”. “Aqui não há uma base econômica produtiva, apenas um bolha imobiliário abastecido por uma classe de servidores públicos com renda paga por contribuintes de todo o país. A população distrital é maior que a de Porto Alegre ou Curitiba, mas não temos povo. Temos monopólios especulativos crescendo em várias áreas à sombra do poder público”, avaliou.

Dados divulgados esta semana sobre o Produto Interno Bruto dos municípios em 2007 mostram que Brasília responde por 3,8% da renda gerada no país, figurando em terceiro lugar no ranking com 99,9 bilhões de reais, atrás de Rio de Janeiro e São Paulo. E dessa fatia, 53,8% são gerados diretamente pela administração pública, que inclui salários de servidores, gastos com educação, saúde e segurança pública.

O projeto original de Águas Claras, por exemplo, apontava prédios com menos de dez andares. Hoje, arranham quase 30 pisos. Há 160 edifícios em construção e outros 150 a serem erguidos na cidade . Só em sua porção “vertical” vivem 70 mil pessoas, a maioria funcionários públicos não abastados o suficiente para encarar os preços do Plano Piloto. “Hoje, se todas as pessoas saírem de casa com seus carros ao mesmo tempo, não cabem nas ruas”, comentou Aldo Paviani. E as projeções oficiais são para 150 mil moradores na porção central e até 250 mil no entorno. O metro quadrado construído custa ali cerca de cinco mil reais, enquanto que no Plano Piloto giram em torno de dez mil reais. “O metrô não comporta a demanda e alargar ruas e construir viadutos apenas privilegia o uso do automóvel”, ressaltou o geógrafo.

Mônica Veríssimo diz que o maior pecado da ocupação do território no Distrito Federal é não inserir a variável ambiental sem seu planejamento. Segundo ela, água também serve para manter a integridade de rios e córregos que abastecem populações e animais. Um levantamento da entidade feito em 1998 mostrou que a maioria dos mananciais no Distrito Federal já estava comprometida por poluição e uso excessivo. “De lá para cá a situação só piorou, porque a quantidade de esgotos lançados é maior que a de tratamento. Os rios têm que ter vida, não podem ser um Tietê. O crescimento urbano deveria pesar se há capacidade para desenvolvimento, que hoje está descolado dos limites ambientais”, ressaltou. O governo distrital já planeja usar água do Lago Paranoá para abastecimento público, fonte já aproveitada para geração de energia.

A presidente da FSD também reclama da extinção dos “planos diretores locais” de urbanização pelo atual governo, que ampliou em 20% as áreas urbanas no Distrito Federal em relação às normas de 1997 para permitir novos loteamentos. “Abriram as porteiras para grupos econômicos construirem o que quisessem e onde quisessem, à revelia das condições ambientais e sem consultar a população”, disse. Segundo ela, a manobra pode perpetuar a ação de empreiteiras por três décadas ou mais.

As ligações perigosas entre governo, empreiteiras e empresários estão na mira do Ministério Público no DF, que ajuizou ação judicial contra o atual Plano Diretor de Ordenamento Territorial do Distrito Federal. Para a promotoria, o plano viola a Lei Orgânica do DF, pela qual “as terras públicas, consideradas de interesse para a proteção ambiental, não poderão ser transferidas a particulares, a qualquer título”. “Seu embasamento ambiental é nulo, criminoso. A história foi desmascarada, mas agora precisamos reverter esse processo antes que tudo se torne 100% urbano”, ressaltou Veríssimo.

Caminhos a seguir








Verde em baixa, urbanização de Brasília em 1973 e em 2001. Imagem: Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas

Para a presidente da FSD, as soluções passam por parar imediatamente a aplicação do plano de ordenamento terrotorial e repensar o Distrito Federal de forma democrática e temperada com os limites ambientais. “Primeiro, pára tudo, inclusive porque o plano de ordenamento se mostrou vendido aos interesses das empreiteiras”, disse. Leia aqui um parecer da FSD sobre o plano diretor.

Em seguida, recomenda, será preciso reavaliar o tamanho da mancha urbana projetada no plano, desproporcional às necessidades reais da capital, concentrar desenvolvimento aproveitando espaços nos núcleos urbanos consolidados, mas “sem criar novas São Paulo”, e ampliar a oferta de transporte público. “Bastam dois quintos das áreas previstas para desenvolvimento no plano atual, não a enorme mancha urbana aprovada por este governo”, ressaltou.

“A capital também precisa descentralizar a oferta de empregos, para reduzir o fluxo diária de veículos. A frota de ônibus, metrô e os horários de circulação não condizem com o tamanho e necessidades da população”, lembrou Aldo Paviani.

Frederico Flósculo pontua que a capital brasileira tem três opções para seu futuro: adentrar o caos e se tornar algo semelhante à Cidade do México, com mais de oito milhões de habitantes, estratificação social aprofundada, elevados índices de violência e impactos profundos no meio ambiente e qualidade de vida da população; introjetar o modelo de Washington e horizontalizar o desenvolvimento econômico e crescimento urbano em uma região com cerca de 100 municípios goianos, mineiros e baianos; ou ainda retomar os preceitos originais pensados para uma cidade integrada à natureza, poupadora de recursos naturais e associada a uma população empoderada, organizada em prefeituras comunitárias que definem o uso dos espaços públicos.

Segundo ele, tornar os rumos da urbanização mais positivos também depende da eliminação da corrupção entranhada no Distrito Federal. Mas tudo depende da pizza à brasileira que costuma ser oferecida entre o Natal e o Carnaval. “Nas mãos dos predadores políticos e da especulação imobiliária, será impossível reverter esse processo. Hoje o Distrito Federal é um mar de lama a mil metros de altitude”, disse.

- Música de Natal: Faroeste Caboclo. Legião Urbana.




E João aceitou 
sua proposta
E num ônibus entrou no
Planalto Central
Ele ficou bestificado
com a cidade
Saindo da rodoviária,
viu as luzes de Natal


"Meu Deus, 
mas que cidade linda,
No Ano-Novo eu 
começo a trabalhar"
Cortar madeira, 
aprendiz de carpinteiro
Ganhava cem mil por mês
em Taguatinga

"Meu Deus, mas que cidade linda..."

- Eu acho a Esplanada dos Ministérios linda, linda, linda. Mas também acho um abuso o que se gasta de energia e lâmpadas pra fazer a decoração de Natal.
- Entretanto, nesse ano, confesso, um passeio especial por lá deixou tudo mágico... 
- O Maurício de Sousa, criador da Turma da Mônica, postou uma foto dessas luzes brasilienses no twitter. Eu tinha que postar aqui a imagem que ele divulgou. 
- A vida é isso. O que dá sentido a tudo não é nada mais, nada menos que o olhar da gente.

@mauriciodesousa 
  http://twitpic.com/u31xg - na esplanada dos ministérios, em brasilia, as luzes do natal...




- Lago Norte. Dia 15 de dezembro. Final do dia.

- Depois de apararem a grama do confortável bairro Lago Norte, em Brasília, trabalhadores tiram suas roupas da lida em plena rua, enquanto um caminhão os aguarda para levá-los de volta.



- Um ano depois, a dor continua para parentes de vítimas de trânsito.

IMPORTANTE

ANTES DE LER A MATÉRIA ABAIXO, LEIA ESSE COMENTÁRIO, DEIXADO AQUI NO BLOG PELA ROSANE, MÃE DO PAULO EM 25 DE JANEIRO DE 2011 
[comentário original no rodapé desse post]


Eu sou Rosane a mãe do Paulo.Gostaria de corrigir:o autor do atropelamento não é reu primário,tem uma condenação em sua ficha criminal,não colaborou com a polícia pois foi encontrado graças a nossa iniciativa e a colaboração da população de Brasília que se dispôs a dar pistas sôbre onde ele se encontrava escondendo seu carro amassado e não está sendo julgado por homicídio ninguém sabe porquê.O autor está sendo julgado por omissão de socorro e evazão do local.Gostaria de saber quantos outros filhos ainda correrão risco com um irresponsável ao volante como ele.Gostaria de saber porquê o Detran ainda não tirou sua carteira de motorista...e sim, gostaria de saber porquê tirar a vida de alguém parece tão banal...
Enfim é verdade...meu filho sempre foi um anjo do bem...
Obrigada pelo espaço para o comentario...caminhem com cuidado..."o acaso vai me protejer..." será? 







Passar pela Quadra 5 do Park Way, na rua que dá acesso ao Setor Arniqueiras, causa uma sensação de tristeza e revolta para a família da veterinária Rosane D’aqui, 54 anos. Há exatamente um ano, o caçula Paulo Henrique D’aqui Velloso, 22, foi atropelado no local ao voltar para casa, perto da meia-noite. O motorista do carro fugiu sem prestar socorro(1). O corpo de Paulo ficou no local por quatro horas até ser avistado por um entregador de jornal. Naquela época, Rosane montou uma força-tarefa para encontrar o motorista foragido: distribuiu panfletos na região e colocou faixas em volta da pista. Quase um mês depois, o técnico em informática Nemésio da Rocha Fonseca Júnior, 46, se apresentou à 21ª Delegacia (Taguatinga). Ontem, ao completar um ano da tragédia, as faixas voltaram ao local. Desta vez, pedindo punição ao responsável, que está livre, à espera do julgamento. 

Vestindo blusa branca com um pequeno laço azul — cor favorita de Paulo —, Rosane se emociona ao lembrar do acidente. Ela não conseguiu trabalhar durante o dia de ontem. Ao fim da tarde, participou de uma celebração ecumênica na Legião da Boa Vontade (LBV), cercada de familiares e amigos próximos ao rapaz. “Tem um orelhão aqui perto, um posto policial também. Por que o motorista não avisou à polícia ou aos bombeiros, mesmo sem se identificar? Quanto tempo será que meu filho demorou para morrer? Ele deve ter sentido muita dor. A negligência é um crime muito grave, na minha opinião”, desabafou. Em 2008, outro filho de Rosane também sofreu um acidente de carro. “Mas dele eu pude cuidar.” 

 - ()
Chovia muito na noite do atropelamento. Paulo havia cumprido todas as tarefas do dia e voltava de ônibus para casa. Pela manhã, o jovem cursava o primeiro semestre do curso de administração em uma faculdade de Taguatinga. De lá, seguia para o escritório de advocacia onde trabalhava como auxiliar administrativo. Em 10 de dezembro do ano passado, Paulo ainda ligou para a mãe por volta das 23h30, avisando-a que estava a caminho de casa. A mãe não poderia buscar o filho na parada de ônibus, como fazia em dias de chuva, porque estava na casa de uma amiga no Plano Piloto. O ponto de desembarque do transporte público fica na Estrada Parque Vicente Pires, que liga a EPTG ao Núcleo Bandeirante. Dali, Paulo andaria cerca de 1,5 km até a residência em uma rua iluminada, mas sem acostamento ou calçada.

Ao chegar em casa, Rosane viu que o filho não estava lá e ficou preocupada. Depois de vários telefonemas sem resposta, os outros filhos saíram em busca do irmão. Passaram pelo local do acidente, mas não viram o corpo de Paulo, que estava no meio do mato, próximo à cesta de lixo da entrada de um condomínio. Quando o jornaleiro avisou à polícia, a família ficou dilacerada.

Falta de visibilidade 
Sem testemunhas, a única pista material era o retrovisor direito do carro encontrado no local. A perícia da Polícia Civil identificou que a peça pertencia a um Corsa Wind verde. Em 8 de janeiro deste ano, Nemésio da Rocha Fonseca Júnior se apresentou à polícia. Segundo a investigação, o motorista teria alegado falta de visibilidade por causa da chuva. E, depois da colisão, teria ido até a casa de um parente, onde tomou remédio para se acalmar.

Morador de Arniqueiras, Nemésio foi indiciado por homicídio culposo (sem intenção de matar) e pode pegar até três anos de detenção. Mas há um agravante: como ele fugiu sem prestar socorro, a pena pode aumentar em um terço ou até a metade. Como é réu primário e colaborou com a apuração policial ao se apresentar voluntariamente, Nemésio — que não foi encontrado ontem para dar entrevista — se livrou da prisão preventiva. Ou seja: ele aguarda o julgamento em liberdade. Daí parte a indignação da família de Paulo. As faixas com frases de dor voltaram ao local do atropelamento: “Saudades! Aqui, o abandono do rapaz atropelado há um ano. Pedestre, cuidado! O motorista continua dirigindo”. A família, agora, exige que a morte de Paulo não fique impune.


No Código 
Classifica-se como omissão de socorro, de acordo com o artigo 135 do Código Penal, deixar de prestar assistência — quando possível fazê-lo sem risco pessoal — a criança abandonada ou extraviada e a pessoa inválida, ferida, desamparada ou em iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública. A pena prevista varia de um a seis meses de detenção, ou multa. Mas a punição pode ser aumentada se a lesão for grave ou em casos de morte.

Criança em estado grave
Uma menina de 3 anos foi atropelada ontem em Vicente Pires e está gravemente ferida. Ela atravessava sozinha a Rua 5, quando foi atingida pelo Logus, de placa KAW 4756 (DF) conduzido por Thiago Alves Rodrigues, 21. Por volta das 15h, os pais da criança, Gustavo Leal, 22, e Catilene Venâncio (idade não informada), estavam um de cada lado a pista — ele à direita, ela à esquerda. A menina Ana Luíza, que segurava a mão da mãe, se soltou e correu em direção ao pai.

Após o choque, a vítima foi atendida no Hospital Regional de Taguatinga (HRT) e, em seguida, transportada de helicóptero para o Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). Exames constataram traumatismo craniano, e a garota segue internada.

Testemunha do acidente, Marcos Carvalho, 33, contou que o motorista do carro freou três vezes antes do atropelamento. Segundo Marcos, a garota se assustou com a primeira brecada, enquanto atravessava e tentou se afastar do veículo, sem sucesso. O condutor estava acompanhado do irmão de 14 anos no carro.

À polícia, Thiago Rodrigues alegou que o pai chamou a filha para o outro lado e ela teria atravessado sem olhar os veículos da pista. “Ele chamou a criança e mãe não segurou a mão dela”, disse. De acordo com o delegado-adjunto da 38ª DP (Vicente Pires), Tamis Queiroz, “o motorista alega que vinha em velocidade moderada”. Os resultados da perícia devem revelar a velocidade do carro na via, de até 50km/h. Os pneus imprimiram marcas de frenagem por 35m da pista, segundo peritos. Thiago deve ser indiciado por lesão corporal grave ou, caso Ana Luíza não resista aos ferimentos, por homicídio culposo (sem intenção de matar).

- É um pássaro? É um avião? NÃO! É O PHOTOMAN!

- Uma das criaturas mais incríveis do DF é o Photoman.Visite o blog dele.
http://the-photoman.blogspot.com/


- Mulher que caiu em bueiro será indenizada por GDF e Píer 21.

Fonte Dzai

O Governo do Distrito Federal (GDF) e o Píer 21 foram condenados a indenizar em mais de R$ 15 mil uma mulher que se acidentou na calçada próxima ao estacionamento do shopping. De acordo com a ação, no dia 18 de dezembro de 2001 a consumidora caminhava à noite, em direção ao carro, no estacionamento do Píer 21. Na calçada havia um bueiro com a tampa quebrada.

No depoimento à justiça, a mulher contou que, como estava escuro e sem qualquer sinalização, caiu no bueiro e machucou a perna direita. Os ferimentos a impediram de se locomover por 45 dias, o que a obrigou a se afastar das aulas e do trabalho. Além disso, a consumidora precisou se submeter a várias cirurgias que a deixaram com uma grande cicatriz na lateral da coxa direita. Ela pediu indenização por danos morais, materiais e estéticos.

Em defesa, o GDF considerou que cabia ao shopping fazer a manutenção da área adjacente ao estacionamento. Já o Píer 21 afirmou que o acidente ocorreu fora de suas dependências, em estacionamento público, e que por isso não era responsável pela área.

No entanto, o juiz da 1ª Vara da Fazenda Pública do DF não acolheu os argumentos dos acusados. Para ele, ambos foram omissos no dever de executar a manutenção e conservação dos passeios de pedestres, garantindo a mobilidade e acessibilidade para todos os usuários. Segundo o magistrado, o GDF deveria fiscalizar e zelar pela manutenção de calçadas — “seja por razões de ordem urbanística ou de outra qualquer”. Em relação ao shopping, o juiz afirmou que a construção e conservação de calçadas são impostas aos proprietários de imóveis pelas regras que regulam a urbanização das cidades.

Inconformados, o GDF e o Píer 21 recorreram da decisão. Porém, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) manteve a sentença, aumentando o valor da indenização por danos morais de R$ 5 mil para R$ 10 mil. O TJDFT também condenou ambos a desembolsarem R$ 150, por danos materiais — relativos às despesas com medicamentos (efetivamente comprovadas) —, e mais R$ 5 mil por danos estéticos, por conta da cicatriz na perna da consumidora.

- Do Twitter.

@cortezrafa to no hotel mais antigo de Brasilia, que foi projetado pelo Niemeyer... E tenho certeza que eu vi o espírito do JK no hall c/ umas correntes

@cortezrafa a euforia com o hotel em Brasilia já acabou. Volto a ter a triste constatação dessa cidade qdo estou aqui: não gosto de Brasilia...

@mrrobinson2 @cortezarafa Brasilia:reta,projetada, fria,seca,clara,louca,cheia de arte. Please,não a limite em políticos corruptos (tds d outros estados).

- Tem fog no cerrado.

- Este é o Genaro Jazz Burguer Café que fica na 114 Norte.
- É virado para a quadra residencial, na esquina do bloco A, se é que dá pra imaginar uma esquina em Brasília. 
- Uma idéia que veio de Londres, cidade onde o dono, que tem o mesmo nome, Genaro, conhece bem.
- A trilha, as opções e os preços são great.
- Dica: Jamaica Jazz Chicken, 19 reais. Peito de frango temperado com pimenta jamaicana, queijo de cabra gratinado e chutney de frango. A taça de vinho do Concha y Toro sai por 8 reais.
- Nenhuma palavra aqui no blog poderá traduzir a experiência de descobrir esse cantinho na capital do Brasil.
- TEM QUE IR LÁ!
- O Genaro pede companhia bacana. "Alguém" ou amigos que tenham cabeça aberta e curtam as coisas boas, simples e descoladas da vida.

 







Para saber mais sobre menu, preços e a história do lugar:

clique aqui

e também aqui.

- A foto famosa de Raymond Frajmund: os embaixadores da Noruega e da Austrália com seus secretários, na L2 Sul, a caminho da embaixada, em 7 de junho de 1960.

A foto famosa: os embaixadores da Noruega e da Austrália com seus secretários, na L2 Sul, a caminho da embaixada, em 7 de junho de 1960 - (Raymond Frajmund/Divulgação)

- 50 BRAVOS CANDANGOS - Do holocausto à esperança. Prisioneiro do mais terrível campo de concentração, Raymond Frajmund fugiu durante a Marcha da Morte. Reencontrou a família, mas, desiludido com a Europa, veio para o Brasil em 1953 e, desde 1960, vive em Brasília.

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Conceição Freitas
Correio 28/11/2009
 
Ele tem 82 anos e uma tatuagem no antebraço esquerdo: o número 133381 escrito em azul. Era sua identidade em Auschwitz, campo de concentração e extermínio que se tornou símbolo de um dos mais terríveis episódios da história da humanidade. Judeu, nascido na Polônia, criado na Bélgica, Raymond Frajmund é um bravo candango. Dos 15 aos 17 anos, foi prisioneiro das tropas de Hitler. Vive no Brasil desde 1953 e em Brasília desde 1º de junho de 1960.



"Num mundo que se destruía, aqui havia o que construir. Era uma cidade só com futuro, sem passado. Brasília era um lugar fora do perigo e das turbulências. Aqui era possível ser útil, ser necessário, ajudar"
Para entender o que a nova capital representou para este sobrevivente do holocausto, é preciso voltar ao lugar e ao tempo do horror. Raymond, que no Brasil virou Reimôn, vivia com os pais e a irmã em Bruxelas, na Bélgica. A irmã morreu em um bombardeio, durante a invasão alemã em 1940. Com identidade falsa, pais e filho esconderam-se em um apartamento na periferia da cidade até que, em 1942, Raymond foi preso em uma blitz e levado para Auschwitz, no Transporte 21, com outros 1.552 prisioneiros. Desses, 1.475 foram mortos logo que chegaram ao campo de concentração. Quando a guerra acabou, só 40 estavam vivos, entre os quais um único adolescente.

Foram dois anos de trabalhos forçados, ração de 200 calorias por dia e medo de ser o próximo a ir para a câmara de gás. Às vésperas da libertação dos prisioneiros de Auschwitz pelo exército russo, os alemães retiraram 4 mil presos e forçaram-lhes a uma longa caminhada, sob um frio de 20º abaixo de zero, durante vários dias. Raymond estava entre eles. No primeiro dia de fuga, os carrascos distribuíram a cada prisioneiro um pão de aproximadamente um quilo. Era tudo o que comeriam durante a Marcha da Morte, como ficou conhecida.

Numa das paradas, para recolher mais prisioneiros, o adolescente conseguiu fugir. “Não queria mais continuar daquele jeito. Queria morrer ou ser livre”. Raymond escondeu-se num barraco abandonado, dormiu no terceiro andar de um beliche e, quando acordou, encontrou outros fugitivos. Estava pesando 35 kg distribuídos em 1,70m. Dias depois, uma tropa de soldados russos encontrou aquele grupo de sobreviventes do holocausto e deixou-os partir. Estavam livres.

Depois de quatro meses de caminhada (a guerra continuava), Raymond finalmente chegou em casa, em Bruxelas. Reencontrou os pais, mas o filho não era mais o mesmo. Passado algum tempo, teve uma conversa com o pai: “Já trabalhei para o resto da minha vida, não vou trabalhar mais, não quero entrar nesse sistema. Não quero participar dessa farsa. Posso viver com um copo d’água e um pedaço de pão”. O polonês havia virado hippie antes mesmo de o movimento paz & amor se espalhar pelo mundo. O ex-prisioneiro do nazismo estava “p. da vida com a Europa, a Europa que nos massacrou. Estava realmente em divórcio com ela.”

Numa noite do ano de 1952, portanto, seis anos depois do fim da guerra, Raymond assistia a um concerto de música erudita do brasileiro Eleazar de Carvalho (1919-1996) em Bruxelas. Acostumado aos velhos maestros de longa cabeleira branca, ele estranhou a juventude do brasileiro a quem via de costas. Mais ainda quando ele começou a dançar ao ritmo da música. “Nunca havia visto um chefe de orquestra tão bonito, tão elegante, tão gracioso e tão jovem. Isso me tocou muito e eu me disse, naquele dia: ‘Preciso conhecer esse país’”. Até aquele concerto, Raymond nunca havia ouvido falar de um lugar chamado Brasil. No ano seguinte, o polonês irado com a Europa desembarcava no país do maestro dançarino.

Vida de fotógrafo

Três anos depois, estava casado com Rose, brasileira filha de



diplomatas franceses, artista plástica que ficara no país porque havia se apaixonado por um francês criado na Polônia, meio largado, meio zangado, muito desiludido e muito divertido. Raymond frequentava o meio cultural paulistano e foi nele que conheceu o jornalista Claudio Abramo, um dos mais importantes do país. Abramo estava com um problema: precisava enviar profissionais para a sucursal de Brasília do jornal O Estado de São Paulo, mas ninguém queria vir.

Raymond veio para ficar um ou dois meses. Nunca mais saiu. Uma semana depois de chegar, fez uma das fotos mais conhecidas da nova capital: a dos homens de fraque atravessando o cerrado bravio. A foto faz parte do acervo do Itamaraty. Eram os embaixadores da Noruega e da Austrália e dois secretários caminhando na L 2 Sul para a inauguração da primeira embaixada em Brasília, em 7 de junho de 1960. A partir de então, o jornal claramente contrário à mudança da capital passou a publicar diariamente “umas cinco fotos” sobre a cidade.

O jornal não havia mudado sua postura editorial. As fotos é que revelavam, sob o olhar de Raymond, o que de extraordinário acontecia no Planalto Central. “Depois de um mês, eu já me divertia muito. Era ótimo. Brasília era um encanto, uma aventura. Eu dormia num anexo do Brasília Palace Hotel. Acordava todas as manhãs com uma camada de dois milímetros de poeira sobre o lençol, o equipamento, tudo”. Dois meses depois, trouxe a mulher, Rose, para conhecer a capital moderna. Se ele havia gostado, ela se apaixonou: “Era um céu fascinante, um horizonte incrível”, diz ela, hoje, aos 78 anos, com os olhos faiscantes.

A cidade havia sido inaugurada dois meses antes, mas o ritmo ainda era de construção. “As máquinas trabalhavam dia e noite”. Pela primeira vez, Raymond teve a sensação “de participar de algo bonito, grandioso, livre.” O aventureiro que queria arrancar de si suas raízes com a Europa, que não queria se fixar em nenhum outro chão, teve pela primeira vez vontade de ter um filho e um pedaço de terra — vermelha, no caso. “Foi uma coisa muito forte. Tive a impressão de ter achado um porto seguro, um porto tranquilo, onde eu podia pensar, criar uma família”. Algum tempo depois, Raymond percebeu que quando veio para Brasília estava “à procura inconsciente de raízes.”

Enquanto a Europa tentava se recuperar de uma guerra que dizimou cidades inteiras e matou 50 milhões de pessoas, dos quais 6 milhões de judeus, o Brasil inventava uma nova cidade. “Num mundo que se destruía, aqui havia o que construir. Era uma cidade só com futuro, sem passado. Eu ainda estava machucado pela guerra. Brasília era um lugar fora do perigo e das turbulências. Aqui era possível ser útil, ser necessário, ajudar”.




Logo vieram as decepções. “Tudo o que a gente sonhava, imaginava, a ideia inicial de fazer uma cidade socialista num país capitalista foi uma utopia que não se realizou, se desfez pela cobiça do ser humano”. Quando veio o golpe militar, o ex-prisioneiro quis ir embora de Brasília e do Brasil. No dia da invasão da Universidade de Brasília, em agosto de 1968, o fotógrafo do Estadão chegou em casa vomitando. Recusava-se a aceitar o terror novamente. Dois anos depois, deixou o fotojornalismo e virou empresário.

“Brasília me deu um chão”, ele confere — 49 anos, dois filhos (Patricia e Jean-Claude) e três netos (Leon-Aaron, Chloe e João Maurício) depois. E guarda fortes lembranças, como a de ter sido o primeiro morador da SQS 305. “Uma quadra inteira pra mim, pude escolher o apartamento que eu queria. Escolhi um no terceiro andar, com o sol no nascente e perto de um posto de gasolina. Era pra ouvir algum barulho. Aqui era muito silêncio”. Mais significativa ainda é a presença de um importante personagem na vida de Raymond Frajmund: “Juscelino Kubitschek era um homem extraordinário. A sombra dele caía sobre a cidade. Adorávamos ele, ele representava o grande pai. Ele nos protegia.”

- Despesas com lazer na capital federal ficam cada vez mais elevadas.

Desde janeiro, ir à boate encareceu 9,46% e jantar fora subiu 4,41%. Preços superam a inflação

Mariana Flores
28/11/2009 
Correio
 

Acostumados a amargar preços e reajustes superiores aos de outras cidades brasileiras, os brasilienses também pagam caro na hora da diversão. O oneroso lazer da capital do país está subindo mais do que a inflação. Um levantamento feito pelo Correio em dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)(2), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que de 14 produtos e serviços ligados ao divertimento, nove tiveram reajustes superiores à variação média de preços na cidade. O IPCA subiu 3,29%, de janeiro a outubro deste ano, mas as boates da cidade estão cobrando 9,46% mais. Assistir a um jogo esportivo está 10,43% mais caro. Os consumidores de lazer sentem no bolso os preços amargos. O valor de um ingresso para um show musical pode chegar a R$ 400. Não são raras as festas que cobram mais de R$ 100 pela entrada.

Cristina Müller reclama e afirma que, em Brasília, tudo é mais caro - (Rafael Ohana/CB/D.A Press - 20/11/09)
Cristina Müller reclama e afirma que, em Brasília, tudo é mais caro
 
A renda elevada(1) ajuda a explicar os valores, segundo economistas. “Quanto mais dinheiro uma pessoa tem, mais ela gasta com lazer. Primeiro, a pessoa consome o que é necessário à sobrevivência. Se ganha pouco, o consumo de lazer é pequeno. Quando o peso com a sobrevivência é menor, pode gastar mais para se divertir”, afirma o professor do Departamento de Economia da Universidade Católica de Brasília (UCB) José Carneiro da Cunha. “Conhecendo essa disponibilidade de recursos, os empresários cobram mais caro, porque sabem que há mercado”, completa.

Os aumentos foram generalizados em todo o país. Dos 14 itens, 10 tiveram variações maiores na média nacional do que no Distrito Federal. Mas, de qualquer forma, os preços brasilienses continuam bem superiores aos de outras capitais, segundo os consumidores. A carioca Cristina Müller, 51 anos, se espanta com os preços cobrados em Brasília quando comparados aos da cidade em que nasceu. “Aqui é tudo muito mais caro. Seja o chope, a peça de teatro ou o show de música”, afirma. Ela conta que tem saído menos de casa. Apesar de gostar de se reunir com os amigos para conversar e tomar uma cervejinha, deixou de frequentar alguns lugares por causa do valor final da conta. “Se parar para pensar no preço do chope, você não toma nenhum. Em alguns estabelecimentos, o valor chega a R$ 5, R$ 6 e até R$ 7”, reclama.

O excesso de carteiras de meia-entrada em posse dos brasilienses ajuda a fomentar os preços altos, critica o economista Roberto Piscitelli, professor da Universidade de Brasília (UnB). “Onde se tem renda mais elevada se tem a possibilidade de cobrar preços elevados. Mas um agravante é o fato de em Brasília todo mundo ter carteira de estudante. Os empresários aumentam os preços dos ingressos de meia-entrada, que, na verdade, hoje equivalem aos preços que seriam cobrados pela inteira. E aí, quem não tem carteira, acaba pagando o dobro do preço que seria real”, afirma.

1- Bons salários
O rendimento do brasiliense é o mais alto do país. Em 2008, o salário médio era de R$ 2.117, mais do que o dobro da média nacional, R$ 1.036. A segunda colocada no ranking, São Paulo, tem um salário médio de R$ 1.290, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

2- Levantamento
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é levantado mensalmente pelo IBGE entre as famílias com rendimentos mensais compreendidos entre um e 40 salários mínimos. Os dados são coletados em estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços, em concessionárias de serviços públicos e em domicílios.

Boêmios lamentam
 
Os boêmios são os que mais sofrem com os reajustes. As boates, danceterias e discotecas ficaram 9,46% mais caras em 2009. Jantar em um restaurante está 4,41% mais oneroso desde janeiro. A cerveja subiu 3,01%. O cigarro, 26,62%. Em contrapartida, o preço da entrada de cinema caiu 1,56%, e alugar uma fita de DVD está 5% mais barato. “As pessoas devem substituir: se o bar ficou muito mais caro, podem fazer reuniões e jantares em casa”, orienta Carneiro da Cunha.

Para a classe de renda mais baixa, a saída é o lazer gratuito. “Em algumas cidades, há campos de futebol, além disso, nesses casos, o lazer de fim de semana é a visita a vizinhos e a amigos. É comum que as pessoas fiquem batendo papo na porta de casa, como em cidades do interior. Em outras localidades há praia, que é uma opção para a baixa renda”, afirma Carneiro da Cunha.

PALAVRA DO ESPECIALISTA
 
Renda alta estimula gasto
 
"Os preços sobem acima da inflação porque os brasilienses têm maior disponibilidade para gastar com itens de lazer. À medida que a renda se eleva e você tem uma sofisticação do consumo, a pessoa começa a gastar mais com itens ligados à cultura, à arte ou a lazer. Como em Brasília temos mais pessoas com renda elevada, é normal que os preços sejam mais elevados."
Roberto Piscitelli, economista e professor da UnB

Enquanto isso, andando pelo Naturetto da 403 sul...


@ mrrobinson2  
RISCO DE VIDA NO "NATURETO FAMILIA" 403 Sul! Acabei de encontrar um pedaço de metal de 2,5cm com 3 pontas na pizza! Não há gerente.

@ mrrobinson2  
O "encarregado de equipe" diz q não vai se responsabilizar! Disse q não tem gerente! Kkk.

@ mrrobinson2  
O 190 pediu pra ligar pro 196 (civil) q disse q é so no Procon, na Secon e na ANVISA. Mas ninguém faz BO em flagrante. Será negligencia?

@ mrrobinson2 
Aguardo p entrar com processo na ANVISA, SECON e PROCON contra o NATURETO-403S. Sinto-me humilhado por esse resteurante.

@ mrrobinson2 
Pra piorar a situação, foi no prato de uma amiga-irmã minha que fez redução de estômago! O nome dela é Nylcian Isaac. 


do Twitter. 

Prioridade para o automóvel em relação ao pedestre precisa mudar.

25/11/09
do blog da Raquel Rolnik


- Raquel é urbanista, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e relatora especial da Organização das Nações Unidas para o direito à moradia adequada.


Os tempos semafóricos são insuficientes para pedestres em São Paulo. É uma questão simples, mas muito importante para a qualidade de vida daqueles que se deslocam a pé na cidade, que são quase 40% do total dos deslocamentos na região metropolitana.

Em alguns cruzamentos, o semáforo fica verde durante vários minutos seguidos para o carro e apenas 20 segundos para o pedestre. Para uma pessoa cruzar duas vezes, como é o caso de alguns locais, o tempo gasto é desproporcional. Isso mostra claramente a priorização para o automóvel em relação ao pedestre na nossa cidade, que precisa mudar.

A CET tem um serviço para que o pedestre possa fazer uma reclamação desse tipo, que é o número 118. Mas, ao fazer essa reclamação, alguém te ouve, registra e depois você fica sem saber o que aconteceu com a sua demanda, para onde foi e quanto tempo vai demorar para ser atendida. Ou seja, você não consegue acompanhar o processo a partir do momento da sua reclamação. Isso ocorro em vários serviços da prefeitura que montaram call center para receber reclamações de ouvintes, mas não têm um sistema de acompanhamento e gerenciamento dessa reclamação.

Como o Luis Megale lembrou na BandNews, a cidade de Londres adotou em um cruzamento importante uma faixa em X para pedestres. Por exemplo, no cruzamento da Paulista com a Brigadeiro, em determinado momento fechariam as duas vias para que os pedestres pudessem atravessar paralelamente ou em X, na diagonal.

Em São Paulo isso seria uma solução técnica possível, porque quando o pedestre tem que fazer o X, atravessar para o outro lado, fazer os dois cruzamentos, ele é obrigado a passar, esperar o sinal abrir para o outro lado e de novo passar. Acaba demorando muito tempo, principalmente nos cruzamentos mais movimentados, como é o caso da Paulista com a Brigadeiro.

A faixa em X pode ser uma alternativa e implicaria em uma mudança no comportamento dos carros e dos pedestres, porque não é só o motorista que deve aprender, os pedestres também devem. É uma solução adequada, mas o mais importante é seu objetivo: fazer com que o pedestre comece a ser priorizado na cidade de São Paulo.

- Simone de Beauvoir em 1960:

“À noite, enfim, chegamos a Brasília. Uma maquete em tamanho natural. Essa falta de humanidade salta logo aos olhos… Só se pode circular de automóvel… A rua, esse lugar de encontro entre moradores e turistas, lojas e residências, sempre imprevista – a rua, tão cativante em Chicago como no Rio, por vezes deserta e sonhadora, mas cujo silêncio é vivo. A rua, em Brasília, não existe nem existirá.” 
* Do comentário que o maravilhoso blog Dores Capitais deixou aqui e que virou post 


Sobre a viagem de Sartre e Simone pelo Brasil, tem mais aqui 




1960 - Em agosto, Simone e Sartre visitam o Brasil, durante dois meses. O convite havia sido feito por Jorge Amado e alguns intelectuais brasileiros, interessados na revolução cubana e em mostrar ao casal o que era um país subdesenvolvido. Beauvoir e Sartre viajam pelo Brasil cobrindo doze mil quilômetros, tendo Jorge Amado como guia. No Rio de Janeiro, Simone faz uma conferência sobre a condição da mulher, enquanto Sartre fala sobre Cuba e a Argélia para salas repletas. Beauvoir e ele formam aos olhos de todos um bloco intelectual indivisível. Em Brasília, eles são recebidos pelo presidente Kubitschek. Em São Paulo fazem uma conferência para a imprensa e concedem uma entrevista para a TV. O casal é abordado na rua, sobretudo pelos jovens, e suas fotografias podem ser vistas em todos os lugares. Quando se preparavam para voltar, Lanzmann os avisa que em nenhuma hipótese eles deveriam pousar em Paris: Sartre estava ameaçado de morte, e Beauvoir também corria risco — tudo em virtude do Manifesto dos 121, e também pelo artigo sobre Djamila Boupacha. Os dois mudam o vôo para Barcelona, e voltam a Paris por estradas secundárias. 

- Dia 1 de dezembro. Atravesse o Eixão às 6 horas da tarde para encontrar a Noélia.



TRAVESSIA DO EIXÃO
De Nicolas Behr, poeta de Brasília,
gravado por Legião Urbana, a banda mais famosa do DF

Nossa Senhora do Cerrado
Protetora dos pedestres
Que atravessam o eixão
Às seis horas da tarde
Fazei com que eu chegue são e salvo
Na casa da Noélia
Nonô Nonô Nonô Nonônô ...