Prioridade para o automóvel em relação ao pedestre precisa mudar.

25/11/09
do blog da Raquel Rolnik


- Raquel é urbanista, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e relatora especial da Organização das Nações Unidas para o direito à moradia adequada.


Os tempos semafóricos são insuficientes para pedestres em São Paulo. É uma questão simples, mas muito importante para a qualidade de vida daqueles que se deslocam a pé na cidade, que são quase 40% do total dos deslocamentos na região metropolitana.

Em alguns cruzamentos, o semáforo fica verde durante vários minutos seguidos para o carro e apenas 20 segundos para o pedestre. Para uma pessoa cruzar duas vezes, como é o caso de alguns locais, o tempo gasto é desproporcional. Isso mostra claramente a priorização para o automóvel em relação ao pedestre na nossa cidade, que precisa mudar.

A CET tem um serviço para que o pedestre possa fazer uma reclamação desse tipo, que é o número 118. Mas, ao fazer essa reclamação, alguém te ouve, registra e depois você fica sem saber o que aconteceu com a sua demanda, para onde foi e quanto tempo vai demorar para ser atendida. Ou seja, você não consegue acompanhar o processo a partir do momento da sua reclamação. Isso ocorro em vários serviços da prefeitura que montaram call center para receber reclamações de ouvintes, mas não têm um sistema de acompanhamento e gerenciamento dessa reclamação.

Como o Luis Megale lembrou na BandNews, a cidade de Londres adotou em um cruzamento importante uma faixa em X para pedestres. Por exemplo, no cruzamento da Paulista com a Brigadeiro, em determinado momento fechariam as duas vias para que os pedestres pudessem atravessar paralelamente ou em X, na diagonal.

Em São Paulo isso seria uma solução técnica possível, porque quando o pedestre tem que fazer o X, atravessar para o outro lado, fazer os dois cruzamentos, ele é obrigado a passar, esperar o sinal abrir para o outro lado e de novo passar. Acaba demorando muito tempo, principalmente nos cruzamentos mais movimentados, como é o caso da Paulista com a Brigadeiro.

A faixa em X pode ser uma alternativa e implicaria em uma mudança no comportamento dos carros e dos pedestres, porque não é só o motorista que deve aprender, os pedestres também devem. É uma solução adequada, mas o mais importante é seu objetivo: fazer com que o pedestre comece a ser priorizado na cidade de São Paulo.

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