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Brasília: se você não tem carro, esqueça. Não importa o quê, esqueça.
8 minutes ago from web

- Para onde caminha Brasília...


Prédios brotam a todo instante em cidades-satélite de Brasília, como Águas Claras, maior canteiro de obras da América Latina. 
Foto: Aldem Bourscheit


Dica do Santini

Fonte: O Eco
Aldem Bourscheit
16/12/2009, 18:01

A construção do caos em Brasília.

Imerso no escândalo de corrupção mais bem filmado da história brasileira, o Distrito Federal também amarga anos de conturbada urbanização, semeando desordem na ocupação da terra e impactos negativos na qualidade do ar, da água e de vida da população. Fontes ouvidas por O Eco comentam as origens do problema e projetam um futuro caótico se esse processo não for contido.

Geógrafo com pós-doutorado na Universidade do Texas (Estados Unidos), Aldo Paviani (75) chegou em Brasília um ano após o fechamento do Congresso pelo AI-5, em 1969, ato que marcaria o início do período mais duro da Ditadura Militar. Desde aqueles dias, acompanha a evolução urbana do Distrito Federal. E não tem gostado do que vê. Ele conta que a ocupação do território é baseada em planos delineados durante o regime e temperados com fortes doses de especulação imobiliária, desrespeito aos limites ambientais da região e dilapidação do Cerrado. "Aqui a primeira coisa que fazem é passar trator, arrancar tudo sem nenhum respeito. Não fica um pé de pau", ressaltou.

“A vegetação não foi tombada, só a cidade (como patrimônio cultural da humanidade, em 1987). Além disso, o Plano Piloto se tornou o centro de tudo, empurrado a população de menor poder aquisitivo para núcleos com baixa oferta de empregos. Isso provoca grande vaivém diário desde as cidades satélites. As autoridades não movem uma palha para descentralizar esse processo. Pelo contrário, criam mais núcleos afastados, elevando o uso do carro, já que o transporte público é completamente ineficiente”, disse Paviani, autor de livros como Controvérsias Ambientais e Moradia e Exclusão.

O Distrito Federal tem hoje mais de 1,1 milhão de veículos – 75% de automóveis. A frota dobrou desde o ano 2000 e cresce em média 0,8% ao mês, ou quase nove mil carros. O Departamento de Trânsito distrital não sabe quantos veículos se deslocam entre cidades-satélite e Plano Piloto. Engarrafamentos diários são registrados em inúmeros pontos nos horários de pico. No início da manhã e fim da tarde, a via “Estrutural” tem funcionado apenas em um sentido para dar conta do enorme número de veículos.

 Um carro parado em um engarrafamento com o motor ligado libera quase dois quilos de Dióxido de Carbono (CO2) por hora. Por essas e outras que a poluição atmosférica na capital federal já preocupa especialistas que acompanham o assunto (veja aqui). “Tamanha movimentação afeta a vida das pessoas, é uma agressão”, ressalta Paviani.


























Estressado










Um dos estressados era Jorge Diehl, funcionário do Banco do Brasil que aportou na capital em 1998, buscando o mito da cidade planejada. Viveu no Plano Piloto com a família até 2005, quando conseguiu comprar um apartamento em Águas Claras. Ficou por lá um ano e meio, depois fugiu do trânsito insuportável e alugou o imóvel, a vinte quilômetros da região central, onde passou a morar. “Para alcançar o Plano Piloto e dentro de Águas Claras o trânsito é caótico. Íamos para lá só para dormir, depois de quase duas horas de engarrafamentos. A cidade se tornou uma selva de pedra”, disse.

Segundo Paviani, situações como essa se repetem em outras cidades-satélite, como Guará e Taguatinga, porque as intenções urbanísticas iniciais morreram sob um manto de improviso e falta de planejamento, cedendo espaço à invasão de terras para formação de condomínios irregulares e à especulação imobiliária que afastou a possibilidade de compra de apartamentos em regiões centrais pela maioria da população.

O primeiro condomínio irregular no Distrito Federal surgiu em 1975. A ocupação desregrada de terras e o crescimento demográfico calcado em migrações se intensificaram a partir de 1988, na primeira das quatro eleições de Joaquim Roriz para o governo distrital. Hoje, são 513, conforme dados da Terracap, empresa oficial de terras.

“Minha estimativa é de que existam quase 650, pois a conta do governo inclui apenas os mais estruturados, com casas e organização condominal. Meu censo também pesa locais onde ruas foram abertas e lotes vendidos, e um grupo difícil de computar, dos condomínios "de gaveta", que não abriram ruas, mas cercaram áreas públicas e têm lotes sendo vendidos”, ressaltou o professor Frederico Flósculo, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília.

Uma grande festa








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O mercado imobiliário “candango” é o segundo do país, atrás de São Paulo. O último salão de imóveis em Brasília vendeu cerca de 181 milhões de reais em três dias, podendo chegar a 227 milhões pós-salão para 733 unidades e total de 407 milhões até dezembro. Entre os cerca de dez mil imóveis ofertados, os valores variavam de 55 mil a 4 milhões de reais. Há quitinetes no Plano Piloto ofertadas por meio milhão de reais. Um “leque extramamente democrático das ofertas”, comentaram representantes do setor.

Na capital federal e entorno, é possível encontrar condomínios e prédios nomeados como Montparnasse, Ilhabela, Real Paris, Ilhas Maurício, Península e até Super Quadra Atlântica, onde será instalada uma piscina de água salgada ladeada por torres espelhadas, na região já batizada como “Barra da Tijuca do Planalto”. “Brasília está cada vez mais parecida com Dubai, nos Emirados Árabes, totalmente deslocada do ambiente onde está, no Cerrado”, disse Paulo Fiúza, do movimento Cerrado Vivo.

Dados da Terracap mostram que, em dez anos, os valores dos imóveis subiram 1.120% no bairro Sudoeste e 800% em Águas Claras, nesse último principalmente a partir de 2000, quando ali instalaram o metrô. Um investimento e tanto. Já no bairro Noroeste está o metro quadrado mais caro do país, onde apartamentos topsão vendidos por até dois milhões de reais, enquanto que nos lagos Sul e Norte, residências de alta classe passam facilmente dos três milhões de reais. Custa caro viver na capital do Brasil.

Atuando há mais de trinta anos no mercado, a Paulo Octávio Investimentos Imobiliários pertence ao ex-corretor, senador e vice-governador do DF Paulo Octávio. A empresa já construiu e entregou mais de 40 mil unidades residenciais e comerciais na região.

À frente da Fundação Sustentabilidade e Desenvolvimento - FSD, Mônica Veríssimo questiona esse modelo excludente. “Oitenta porcento da demanda habitacional no Distrito Federal é para classe baixa, empurrada para cada vez mais longe da região central”, reclama. Conforme ela, a autonomia das “regiões administrativas”, onde estão as cidades-satélites, abriu as portas ao descontrole sobre a densidade de habitantes e fluxo de carros. “A grande especulação imobiliária pode acabar com o Distrito Federal, pois não há demanda real para moradias com esse valor”, disse.

De acordo com Flósculo, da UnB, um histórico de corrupção e autoritarismo gerou na capital federal um boomimobiliário no pior estilo chinês. “Aqui temos especulação em forma quase pura, com grupos locais e do Sudeste investindo em Brasília para ter lastro para novos investimentos. Esse caso único de território e população corrompidos não é normal ou aceitável, merecia uma CPI”, disse. “É uma pena ver cidade entregue à prostituição imobiliária, quando de início havia planos para abrigar milhões de pessoas de forma democrática e com qualidade de vida”, ressaltou. “Se essa festa continuar, os efeitos serão nefastos para o meio ambiente e vida da população e, no futuro, os mesmos grupos que hoje lucram vão lucrar de novo com a recuperação dos estragos”.

Conceitos e limites








Frederico Flósculo: "Brasília é um mar de lama a mil metros de altitude". Foto: Aldem Bourscheit


Conforme Frederico Flósculo, o modelo de “cidades-parque” copiado no cinquentão Distrito Federal funciona em países como Inglaterra e Estados Unidos porque lá não foi permitida tamanha concentração urbana. Washington, capital norte-americana com 220 anos, tem menos de seiscentos mil moradores. “Seu entorno é estruturado em pequenas cidades onde há empregos, bom nível de renda e qualidade de vida. Aqui não. Aqui onde mora o rei se concentram os privilégios”, comentou.

Segundo o arquiteto e urbanista, o pai de todos os planos de ordenamento da região foi elaborado pelos militares e observou os limites de suprimento de água para estimar uma população distrital máxima de 2,5 milhões de habitantes. Patamar ultrapassado em 2008, e há mais de um milhão de moradores em seu entorno imediato. Flósculo comenta que o projeto urbanístico em curso atua com “estratificação de classes sociais”. “Aqui não há uma base econômica produtiva, apenas um bolha imobiliário abastecido por uma classe de servidores públicos com renda paga por contribuintes de todo o país. A população distrital é maior que a de Porto Alegre ou Curitiba, mas não temos povo. Temos monopólios especulativos crescendo em várias áreas à sombra do poder público”, avaliou.

Dados divulgados esta semana sobre o Produto Interno Bruto dos municípios em 2007 mostram que Brasília responde por 3,8% da renda gerada no país, figurando em terceiro lugar no ranking com 99,9 bilhões de reais, atrás de Rio de Janeiro e São Paulo. E dessa fatia, 53,8% são gerados diretamente pela administração pública, que inclui salários de servidores, gastos com educação, saúde e segurança pública.

O projeto original de Águas Claras, por exemplo, apontava prédios com menos de dez andares. Hoje, arranham quase 30 pisos. Há 160 edifícios em construção e outros 150 a serem erguidos na cidade . Só em sua porção “vertical” vivem 70 mil pessoas, a maioria funcionários públicos não abastados o suficiente para encarar os preços do Plano Piloto. “Hoje, se todas as pessoas saírem de casa com seus carros ao mesmo tempo, não cabem nas ruas”, comentou Aldo Paviani. E as projeções oficiais são para 150 mil moradores na porção central e até 250 mil no entorno. O metro quadrado construído custa ali cerca de cinco mil reais, enquanto que no Plano Piloto giram em torno de dez mil reais. “O metrô não comporta a demanda e alargar ruas e construir viadutos apenas privilegia o uso do automóvel”, ressaltou o geógrafo.

Mônica Veríssimo diz que o maior pecado da ocupação do território no Distrito Federal é não inserir a variável ambiental sem seu planejamento. Segundo ela, água também serve para manter a integridade de rios e córregos que abastecem populações e animais. Um levantamento da entidade feito em 1998 mostrou que a maioria dos mananciais no Distrito Federal já estava comprometida por poluição e uso excessivo. “De lá para cá a situação só piorou, porque a quantidade de esgotos lançados é maior que a de tratamento. Os rios têm que ter vida, não podem ser um Tietê. O crescimento urbano deveria pesar se há capacidade para desenvolvimento, que hoje está descolado dos limites ambientais”, ressaltou. O governo distrital já planeja usar água do Lago Paranoá para abastecimento público, fonte já aproveitada para geração de energia.

A presidente da FSD também reclama da extinção dos “planos diretores locais” de urbanização pelo atual governo, que ampliou em 20% as áreas urbanas no Distrito Federal em relação às normas de 1997 para permitir novos loteamentos. “Abriram as porteiras para grupos econômicos construirem o que quisessem e onde quisessem, à revelia das condições ambientais e sem consultar a população”, disse. Segundo ela, a manobra pode perpetuar a ação de empreiteiras por três décadas ou mais.

As ligações perigosas entre governo, empreiteiras e empresários estão na mira do Ministério Público no DF, que ajuizou ação judicial contra o atual Plano Diretor de Ordenamento Territorial do Distrito Federal. Para a promotoria, o plano viola a Lei Orgânica do DF, pela qual “as terras públicas, consideradas de interesse para a proteção ambiental, não poderão ser transferidas a particulares, a qualquer título”. “Seu embasamento ambiental é nulo, criminoso. A história foi desmascarada, mas agora precisamos reverter esse processo antes que tudo se torne 100% urbano”, ressaltou Veríssimo.

Caminhos a seguir








Verde em baixa, urbanização de Brasília em 1973 e em 2001. Imagem: Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas

Para a presidente da FSD, as soluções passam por parar imediatamente a aplicação do plano de ordenamento terrotorial e repensar o Distrito Federal de forma democrática e temperada com os limites ambientais. “Primeiro, pára tudo, inclusive porque o plano de ordenamento se mostrou vendido aos interesses das empreiteiras”, disse. Leia aqui um parecer da FSD sobre o plano diretor.

Em seguida, recomenda, será preciso reavaliar o tamanho da mancha urbana projetada no plano, desproporcional às necessidades reais da capital, concentrar desenvolvimento aproveitando espaços nos núcleos urbanos consolidados, mas “sem criar novas São Paulo”, e ampliar a oferta de transporte público. “Bastam dois quintos das áreas previstas para desenvolvimento no plano atual, não a enorme mancha urbana aprovada por este governo”, ressaltou.

“A capital também precisa descentralizar a oferta de empregos, para reduzir o fluxo diária de veículos. A frota de ônibus, metrô e os horários de circulação não condizem com o tamanho e necessidades da população”, lembrou Aldo Paviani.

Frederico Flósculo pontua que a capital brasileira tem três opções para seu futuro: adentrar o caos e se tornar algo semelhante à Cidade do México, com mais de oito milhões de habitantes, estratificação social aprofundada, elevados índices de violência e impactos profundos no meio ambiente e qualidade de vida da população; introjetar o modelo de Washington e horizontalizar o desenvolvimento econômico e crescimento urbano em uma região com cerca de 100 municípios goianos, mineiros e baianos; ou ainda retomar os preceitos originais pensados para uma cidade integrada à natureza, poupadora de recursos naturais e associada a uma população empoderada, organizada em prefeituras comunitárias que definem o uso dos espaços públicos.

Segundo ele, tornar os rumos da urbanização mais positivos também depende da eliminação da corrupção entranhada no Distrito Federal. Mas tudo depende da pizza à brasileira que costuma ser oferecida entre o Natal e o Carnaval. “Nas mãos dos predadores políticos e da especulação imobiliária, será impossível reverter esse processo. Hoje o Distrito Federal é um mar de lama a mil metros de altitude”, disse.

- Música de Natal: Faroeste Caboclo. Legião Urbana.




E João aceitou 
sua proposta
E num ônibus entrou no
Planalto Central
Ele ficou bestificado
com a cidade
Saindo da rodoviária,
viu as luzes de Natal


"Meu Deus, 
mas que cidade linda,
No Ano-Novo eu 
começo a trabalhar"
Cortar madeira, 
aprendiz de carpinteiro
Ganhava cem mil por mês
em Taguatinga

"Meu Deus, mas que cidade linda..."

- Eu acho a Esplanada dos Ministérios linda, linda, linda. Mas também acho um abuso o que se gasta de energia e lâmpadas pra fazer a decoração de Natal.
- Entretanto, nesse ano, confesso, um passeio especial por lá deixou tudo mágico... 
- O Maurício de Sousa, criador da Turma da Mônica, postou uma foto dessas luzes brasilienses no twitter. Eu tinha que postar aqui a imagem que ele divulgou. 
- A vida é isso. O que dá sentido a tudo não é nada mais, nada menos que o olhar da gente.

@mauriciodesousa 
  http://twitpic.com/u31xg - na esplanada dos ministérios, em brasilia, as luzes do natal...




- Lago Norte. Dia 15 de dezembro. Final do dia.

- Depois de apararem a grama do confortável bairro Lago Norte, em Brasília, trabalhadores tiram suas roupas da lida em plena rua, enquanto um caminhão os aguarda para levá-los de volta.



- Um ano depois, a dor continua para parentes de vítimas de trânsito.

IMPORTANTE

ANTES DE LER A MATÉRIA ABAIXO, LEIA ESSE COMENTÁRIO, DEIXADO AQUI NO BLOG PELA ROSANE, MÃE DO PAULO EM 25 DE JANEIRO DE 2011 
[comentário original no rodapé desse post]


Eu sou Rosane a mãe do Paulo.Gostaria de corrigir:o autor do atropelamento não é reu primário,tem uma condenação em sua ficha criminal,não colaborou com a polícia pois foi encontrado graças a nossa iniciativa e a colaboração da população de Brasília que se dispôs a dar pistas sôbre onde ele se encontrava escondendo seu carro amassado e não está sendo julgado por homicídio ninguém sabe porquê.O autor está sendo julgado por omissão de socorro e evazão do local.Gostaria de saber quantos outros filhos ainda correrão risco com um irresponsável ao volante como ele.Gostaria de saber porquê o Detran ainda não tirou sua carteira de motorista...e sim, gostaria de saber porquê tirar a vida de alguém parece tão banal...
Enfim é verdade...meu filho sempre foi um anjo do bem...
Obrigada pelo espaço para o comentario...caminhem com cuidado..."o acaso vai me protejer..." será? 







Passar pela Quadra 5 do Park Way, na rua que dá acesso ao Setor Arniqueiras, causa uma sensação de tristeza e revolta para a família da veterinária Rosane D’aqui, 54 anos. Há exatamente um ano, o caçula Paulo Henrique D’aqui Velloso, 22, foi atropelado no local ao voltar para casa, perto da meia-noite. O motorista do carro fugiu sem prestar socorro(1). O corpo de Paulo ficou no local por quatro horas até ser avistado por um entregador de jornal. Naquela época, Rosane montou uma força-tarefa para encontrar o motorista foragido: distribuiu panfletos na região e colocou faixas em volta da pista. Quase um mês depois, o técnico em informática Nemésio da Rocha Fonseca Júnior, 46, se apresentou à 21ª Delegacia (Taguatinga). Ontem, ao completar um ano da tragédia, as faixas voltaram ao local. Desta vez, pedindo punição ao responsável, que está livre, à espera do julgamento. 

Vestindo blusa branca com um pequeno laço azul — cor favorita de Paulo —, Rosane se emociona ao lembrar do acidente. Ela não conseguiu trabalhar durante o dia de ontem. Ao fim da tarde, participou de uma celebração ecumênica na Legião da Boa Vontade (LBV), cercada de familiares e amigos próximos ao rapaz. “Tem um orelhão aqui perto, um posto policial também. Por que o motorista não avisou à polícia ou aos bombeiros, mesmo sem se identificar? Quanto tempo será que meu filho demorou para morrer? Ele deve ter sentido muita dor. A negligência é um crime muito grave, na minha opinião”, desabafou. Em 2008, outro filho de Rosane também sofreu um acidente de carro. “Mas dele eu pude cuidar.” 

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Chovia muito na noite do atropelamento. Paulo havia cumprido todas as tarefas do dia e voltava de ônibus para casa. Pela manhã, o jovem cursava o primeiro semestre do curso de administração em uma faculdade de Taguatinga. De lá, seguia para o escritório de advocacia onde trabalhava como auxiliar administrativo. Em 10 de dezembro do ano passado, Paulo ainda ligou para a mãe por volta das 23h30, avisando-a que estava a caminho de casa. A mãe não poderia buscar o filho na parada de ônibus, como fazia em dias de chuva, porque estava na casa de uma amiga no Plano Piloto. O ponto de desembarque do transporte público fica na Estrada Parque Vicente Pires, que liga a EPTG ao Núcleo Bandeirante. Dali, Paulo andaria cerca de 1,5 km até a residência em uma rua iluminada, mas sem acostamento ou calçada.

Ao chegar em casa, Rosane viu que o filho não estava lá e ficou preocupada. Depois de vários telefonemas sem resposta, os outros filhos saíram em busca do irmão. Passaram pelo local do acidente, mas não viram o corpo de Paulo, que estava no meio do mato, próximo à cesta de lixo da entrada de um condomínio. Quando o jornaleiro avisou à polícia, a família ficou dilacerada.

Falta de visibilidade 
Sem testemunhas, a única pista material era o retrovisor direito do carro encontrado no local. A perícia da Polícia Civil identificou que a peça pertencia a um Corsa Wind verde. Em 8 de janeiro deste ano, Nemésio da Rocha Fonseca Júnior se apresentou à polícia. Segundo a investigação, o motorista teria alegado falta de visibilidade por causa da chuva. E, depois da colisão, teria ido até a casa de um parente, onde tomou remédio para se acalmar.

Morador de Arniqueiras, Nemésio foi indiciado por homicídio culposo (sem intenção de matar) e pode pegar até três anos de detenção. Mas há um agravante: como ele fugiu sem prestar socorro, a pena pode aumentar em um terço ou até a metade. Como é réu primário e colaborou com a apuração policial ao se apresentar voluntariamente, Nemésio — que não foi encontrado ontem para dar entrevista — se livrou da prisão preventiva. Ou seja: ele aguarda o julgamento em liberdade. Daí parte a indignação da família de Paulo. As faixas com frases de dor voltaram ao local do atropelamento: “Saudades! Aqui, o abandono do rapaz atropelado há um ano. Pedestre, cuidado! O motorista continua dirigindo”. A família, agora, exige que a morte de Paulo não fique impune.


No Código 
Classifica-se como omissão de socorro, de acordo com o artigo 135 do Código Penal, deixar de prestar assistência — quando possível fazê-lo sem risco pessoal — a criança abandonada ou extraviada e a pessoa inválida, ferida, desamparada ou em iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública. A pena prevista varia de um a seis meses de detenção, ou multa. Mas a punição pode ser aumentada se a lesão for grave ou em casos de morte.

Criança em estado grave
Uma menina de 3 anos foi atropelada ontem em Vicente Pires e está gravemente ferida. Ela atravessava sozinha a Rua 5, quando foi atingida pelo Logus, de placa KAW 4756 (DF) conduzido por Thiago Alves Rodrigues, 21. Por volta das 15h, os pais da criança, Gustavo Leal, 22, e Catilene Venâncio (idade não informada), estavam um de cada lado a pista — ele à direita, ela à esquerda. A menina Ana Luíza, que segurava a mão da mãe, se soltou e correu em direção ao pai.

Após o choque, a vítima foi atendida no Hospital Regional de Taguatinga (HRT) e, em seguida, transportada de helicóptero para o Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). Exames constataram traumatismo craniano, e a garota segue internada.

Testemunha do acidente, Marcos Carvalho, 33, contou que o motorista do carro freou três vezes antes do atropelamento. Segundo Marcos, a garota se assustou com a primeira brecada, enquanto atravessava e tentou se afastar do veículo, sem sucesso. O condutor estava acompanhado do irmão de 14 anos no carro.

À polícia, Thiago Rodrigues alegou que o pai chamou a filha para o outro lado e ela teria atravessado sem olhar os veículos da pista. “Ele chamou a criança e mãe não segurou a mão dela”, disse. De acordo com o delegado-adjunto da 38ª DP (Vicente Pires), Tamis Queiroz, “o motorista alega que vinha em velocidade moderada”. Os resultados da perícia devem revelar a velocidade do carro na via, de até 50km/h. Os pneus imprimiram marcas de frenagem por 35m da pista, segundo peritos. Thiago deve ser indiciado por lesão corporal grave ou, caso Ana Luíza não resista aos ferimentos, por homicídio culposo (sem intenção de matar).

- É um pássaro? É um avião? NÃO! É O PHOTOMAN!

- Uma das criaturas mais incríveis do DF é o Photoman.Visite o blog dele.
http://the-photoman.blogspot.com/


- Mulher que caiu em bueiro será indenizada por GDF e Píer 21.

Fonte Dzai

O Governo do Distrito Federal (GDF) e o Píer 21 foram condenados a indenizar em mais de R$ 15 mil uma mulher que se acidentou na calçada próxima ao estacionamento do shopping. De acordo com a ação, no dia 18 de dezembro de 2001 a consumidora caminhava à noite, em direção ao carro, no estacionamento do Píer 21. Na calçada havia um bueiro com a tampa quebrada.

No depoimento à justiça, a mulher contou que, como estava escuro e sem qualquer sinalização, caiu no bueiro e machucou a perna direita. Os ferimentos a impediram de se locomover por 45 dias, o que a obrigou a se afastar das aulas e do trabalho. Além disso, a consumidora precisou se submeter a várias cirurgias que a deixaram com uma grande cicatriz na lateral da coxa direita. Ela pediu indenização por danos morais, materiais e estéticos.

Em defesa, o GDF considerou que cabia ao shopping fazer a manutenção da área adjacente ao estacionamento. Já o Píer 21 afirmou que o acidente ocorreu fora de suas dependências, em estacionamento público, e que por isso não era responsável pela área.

No entanto, o juiz da 1ª Vara da Fazenda Pública do DF não acolheu os argumentos dos acusados. Para ele, ambos foram omissos no dever de executar a manutenção e conservação dos passeios de pedestres, garantindo a mobilidade e acessibilidade para todos os usuários. Segundo o magistrado, o GDF deveria fiscalizar e zelar pela manutenção de calçadas — “seja por razões de ordem urbanística ou de outra qualquer”. Em relação ao shopping, o juiz afirmou que a construção e conservação de calçadas são impostas aos proprietários de imóveis pelas regras que regulam a urbanização das cidades.

Inconformados, o GDF e o Píer 21 recorreram da decisão. Porém, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) manteve a sentença, aumentando o valor da indenização por danos morais de R$ 5 mil para R$ 10 mil. O TJDFT também condenou ambos a desembolsarem R$ 150, por danos materiais — relativos às despesas com medicamentos (efetivamente comprovadas) —, e mais R$ 5 mil por danos estéticos, por conta da cicatriz na perna da consumidora.

- Do Twitter.

@cortezrafa to no hotel mais antigo de Brasilia, que foi projetado pelo Niemeyer... E tenho certeza que eu vi o espírito do JK no hall c/ umas correntes

@cortezrafa a euforia com o hotel em Brasilia já acabou. Volto a ter a triste constatação dessa cidade qdo estou aqui: não gosto de Brasilia...

@mrrobinson2 @cortezarafa Brasilia:reta,projetada, fria,seca,clara,louca,cheia de arte. Please,não a limite em políticos corruptos (tds d outros estados).