- O motivo da viagem é profissional, mas não há como não "levar para o pessoal" uma viagem para uma cidade tão interessante como Recife . Não terei o tempo e a atenção que a cidade merece para dedicar a ela, mas já gostei de algumas coisinhas que pude observar na minha caminhada por aqui:
- Wireless grátis, free, livre, na faixa. É só levar seu computador para o Shopping Recife , que fica ao lado do Aeroporto.
- Enquanto eu estiver aqui, terei minha 1 hora de volta. Recife não tem horário de verão.
- Caminhar ao lado do Rio Capibaribe é tudo. Juro: ele é uma entidade tão forte que senti vontade de cumprimentá-lo, solenemente,.
- Muita, muita, muita gente caminhando pelas calçadas. Bom, tem muita, muita, muita gente caminhando por todos os lados. Que bom ver gente andando a pé. Morar muito tempo em Brasília, a capital dos carros, torna essa banal caminhada cotidiana uma cena daquelas que se pára pra ver. Parei pra ver Recife andar a pé.
- Brasiliense vive três anos a mais.
Correio
- Quando um bebê nasce na capital do país, a expectativa é de que ele viva pelo menos até os 75,6 anos. São quase três anos além da média nacional, o que coloca o Distrito Federal no topo do ranking da esperança de vida ao nascer
Quem nasce no Distrito Federal tem chances de viver mais do que pessoas nascidas em outros estados. A pesquisa Síntese de Indicadores Sociais, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que a expectativa de vida do brasiliense aumentou nos últimos 10 anos e, hoje, é a maior do país. Atualmente, as crianças que nascem na capital da República devem viver, em média, 75,6 anos – três anos a mais do que meninos e meninas que vieram ao mundo no fim da década de 1990. O crescimento se explica, principalmente, pela redução dos níveis de mortalidade infantil local (11,1 para cada mil nascidos vivos) e pela melhoria da qualidade de vida do brasiliense.
Segundo a pesquisa, em 1998, o DF ocupava o terceiro lugar no ranking das unidades da Federação cuja população, ao nascer, tinha chances de ter uma vida mais longa. À época, a esperança era de que os recém-nascidos brasilienses alcançassem a idade média de 72,6 anos. Eles só perdiam para os paranaenses e gaúchos, que estavam na frente na corrida da longevidade. Dez anos se passaram e o cenário mudou. Hoje, quem ocupa o topo da lista são os filhos da capital do país (veja quadro).
“E já não era sem tempo. Apesar dos problemas evidentes que temos no nosso sistema público de saúde, ele ainda é o melhor do país. A mortalidade no DF tem caído progressivamente. Temos postos de saúde em cada cidade, um ótimo programa de imunização, entre outras coisas. As pessoas estão tendo melhores condições sociais e de saúde do que há 10 anos”, afirma o chefe do Centro de Medicina do Idoso do Hospital Universitário de Brasília (HUB), Renato Maia.
Ele destaca que o aumento de três anos na esperança de vida é muito significativo e que esse prolongamento pode ser estendido aos idosos, mas não na mesma proporção. “Eles são beneficiados pela melhoria nos serviços públicos, na organização social e na renda do DF”, diz. Praticante de dança cigana, Divina Gomes Teixeira, 76 anos, trocou a capital goiana por Brasília há 20 anos e acha que fez uma ótima escolha. “Comecei a fazer atividade física aqui e hoje não vivo sem. Acho que o idoso tem muito o que aproveitar na cidade. Ando nas calçadas da Octogonal, aprecio o verde e a tranquilidade. E ainda adoro encontrar meus amigos”, conta.
Mulheres
A alta renda per capita em Brasília impacta diretamente a melhoria da qualidade de vida dos moradores da capital. Mais dinheiro no bolso significa melhores alimentos na mesa, mais medicamentos no armário, melhores escolas e mais opções de lazer e segurança. Do ponto de vista econômico, os dados indicam que os brasilienses poderão permanecer por mais tempo no mercado de trabalho. Para o integrante do Conselho Regional de Economia (Corecon-DF), Júlio Miragaya, se o tempo de vida tende a aumentar, a legislação previdenciária terá que mudar. “Se a idade das pessoas tende a prolongar, significa que o encargo sobre as outras que estão ativas cresce”, analisa o especialista.
A tendência de as pessoas viverem mais não é exclusiva da população do DF. A média nacional também cresceu e saltou de 69,7 anos, em 1998, para 72,7 anos, em 2008. A pesquisa do IBGE mostra ainda que a vida média ao nascer, entre 1998 e 2008, cresceu 3,2 anos entre as mulheres com a situação bem mais favorável que a dos homens (o número passou de 73,6 para 76,8 anos, para elas, e 65,9 para 69,3 anos, para eles). Sorte da pequena Maria Eduarda Caetano, de 4 meses, que hoje tem oportunidade de viver melhor do que o irmão Lerre, de 9 anos, teve nos primeiros anos de vida.
A mãe das crianças, a professora Nayara Frota Caetano, 26, admite que há diferença entre a sua situação atual e a de quando ficou grávida do primeiro filho. “Minha situação financeira era diferente e hoje poderei investir em mais coisas para ela. Já estou pensando em colocá-la no berçário e na aula de natação. Isso vai ajudá-la a ter mais contato com crianças”, diz. No entanto, a professora acredita que conseguirá melhorar a vida dos dois filhos porque hoje a cidade oferece mais a ela. “Temos acesso à modernidade e à melhoria da renda, (1)mas isso também traz transtornos. Veja como é o tumulto do trânsito hoje”, ressalta Nayara.
1 - Renda alta
A renda média do brasiliense é a mais alta do país. Em 2008, estava em R$ 2.117, mais que o dobro da média nacional, de R$ 1.036. A segunda colocada no ranking, São Paulo, tem um salário médio de R$ 1.290, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio do IBGE.
O número
72,7 anos
Expectativa de vida média do brasileiro projetada pelo IBGE
- Quando um bebê nasce na capital do país, a expectativa é de que ele viva pelo menos até os 75,6 anos. São quase três anos além da média nacional, o que coloca o Distrito Federal no topo do ranking da esperança de vida ao nascer
Quem nasce no Distrito Federal tem chances de viver mais do que pessoas nascidas em outros estados. A pesquisa Síntese de Indicadores Sociais, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que a expectativa de vida do brasiliense aumentou nos últimos 10 anos e, hoje, é a maior do país. Atualmente, as crianças que nascem na capital da República devem viver, em média, 75,6 anos – três anos a mais do que meninos e meninas que vieram ao mundo no fim da década de 1990. O crescimento se explica, principalmente, pela redução dos níveis de mortalidade infantil local (11,1 para cada mil nascidos vivos) e pela melhoria da qualidade de vida do brasiliense.
Segundo a pesquisa, em 1998, o DF ocupava o terceiro lugar no ranking das unidades da Federação cuja população, ao nascer, tinha chances de ter uma vida mais longa. À época, a esperança era de que os recém-nascidos brasilienses alcançassem a idade média de 72,6 anos. Eles só perdiam para os paranaenses e gaúchos, que estavam na frente na corrida da longevidade. Dez anos se passaram e o cenário mudou. Hoje, quem ocupa o topo da lista são os filhos da capital do país (veja quadro).
![]() | |
| Nayara, com os filhos Lerre e Maria Eduarda: mais investimento |
“E já não era sem tempo. Apesar dos problemas evidentes que temos no nosso sistema público de saúde, ele ainda é o melhor do país. A mortalidade no DF tem caído progressivamente. Temos postos de saúde em cada cidade, um ótimo programa de imunização, entre outras coisas. As pessoas estão tendo melhores condições sociais e de saúde do que há 10 anos”, afirma o chefe do Centro de Medicina do Idoso do Hospital Universitário de Brasília (HUB), Renato Maia.
Ele destaca que o aumento de três anos na esperança de vida é muito significativo e que esse prolongamento pode ser estendido aos idosos, mas não na mesma proporção. “Eles são beneficiados pela melhoria nos serviços públicos, na organização social e na renda do DF”, diz. Praticante de dança cigana, Divina Gomes Teixeira, 76 anos, trocou a capital goiana por Brasília há 20 anos e acha que fez uma ótima escolha. “Comecei a fazer atividade física aqui e hoje não vivo sem. Acho que o idoso tem muito o que aproveitar na cidade. Ando nas calçadas da Octogonal, aprecio o verde e a tranquilidade. E ainda adoro encontrar meus amigos”, conta.
Mulheres
![]() |
A tendência de as pessoas viverem mais não é exclusiva da população do DF. A média nacional também cresceu e saltou de 69,7 anos, em 1998, para 72,7 anos, em 2008. A pesquisa do IBGE mostra ainda que a vida média ao nascer, entre 1998 e 2008, cresceu 3,2 anos entre as mulheres com a situação bem mais favorável que a dos homens (o número passou de 73,6 para 76,8 anos, para elas, e 65,9 para 69,3 anos, para eles). Sorte da pequena Maria Eduarda Caetano, de 4 meses, que hoje tem oportunidade de viver melhor do que o irmão Lerre, de 9 anos, teve nos primeiros anos de vida.
A mãe das crianças, a professora Nayara Frota Caetano, 26, admite que há diferença entre a sua situação atual e a de quando ficou grávida do primeiro filho. “Minha situação financeira era diferente e hoje poderei investir em mais coisas para ela. Já estou pensando em colocá-la no berçário e na aula de natação. Isso vai ajudá-la a ter mais contato com crianças”, diz. No entanto, a professora acredita que conseguirá melhorar a vida dos dois filhos porque hoje a cidade oferece mais a ela. “Temos acesso à modernidade e à melhoria da renda, (1)mas isso também traz transtornos. Veja como é o tumulto do trânsito hoje”, ressalta Nayara.
1 - Renda alta
A renda média do brasiliense é a mais alta do país. Em 2008, estava em R$ 2.117, mais que o dobro da média nacional, de R$ 1.036. A segunda colocada no ranking, São Paulo, tem um salário médio de R$ 1.290, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio do IBGE.
O número
72,7 anos
Expectativa de vida média do brasileiro projetada pelo IBGE
- A pé na rodoviária.
- Hora do almoço. Fui até a Rodoviária renovar o passaporte. Há um serviço nota mil chamado "Na hora" . Você realmente resolve a sua vida na hora. Da identidade à declaração de que você está em dia com o seu voto e outras chatérrimas burocracias mais. Até postinho da Polícia Federal para fazer passaporte agora tem. O atendimento é rápido, sobretudo considerando o desrespeito médio das filas por aí, e todos os atendentes são muito bem preparados. Onde fica o Na Hora? No subsolo da rodoviária. Desça a escada rolante como se você fosse pegar o metrô. Fica logo à sua direita.
- A rodoviária é muito mais Brasília. Há nela mais da cidade do que há de Brasília nos ícones daqui, como a Esplanada. Quando a gente fala Brasília todo mundo pensa na Esplanada e nos políticos. Injusto. A rodoviária é que deveria ser Top of Mind, junto com tantos outros lugares e pessoas que são, de fato, a capital do país.
- Para quem não conhece Brasília, talvez valha saber que, quando você está na Rodoviária, você olha para o outro lado e vê a Esplanada/ a Praça dos 3 Poderes. Lá é um pouco triste e deprimente, sim. Você olha e pensa: o que se fez da rodoviária de Brasília, meu deus? Mas também pode ser triste e deprimente olhar para o lado de lá, enxergar os ministérios e monumentos e pensar: e o que é isso que tanta gente faz do Congresso Nacional?
- Seguramente, nem todos aqueles que estão no poder podem ser arremessados no balaio de gatos dos políticos corruptos. Da mesma forma, nem todos que estão na rodoviária são dignos de compaixão. Muitos deles merecem, mais do que tantos senhores e senhoras importantes, o nosso aplauso e o nosso orgulho.
- Cheguei na fila do passaporte. Havia gente bem vestida e com cara de bem alimentada e bem tratada na fila, com características opostas às das pessoas que aguardavam para tirar a carteira de trabalho e de identidade.
- Havia também menos gente na fila do passaporte do que nas demais filas. Óbvio. Saindo de lá, porém, pude ver algumas cenas menos óbvias nos saguões da Rodoviária. Sem trocadilho, eu estava lá na hora em que elas aconteceram.
- CENA 1 - TIM, TIM.
Vi duas mulheres, com talvez 50 anos, andando rápido. É difícil saber a idade de uma alma e de um corpo quando a vida maltratou tanto. Elas passaram por mim apressadas. Estavam sorrindo. Foi tudo muito rápido. Elas cruzaram a minha frente com copos de cerveja na mão. Estavam quase correndo, mas, antes de tomar o primeiro gole, pararam um pouquinho, brindaram, sorriram mais e seguiram no passo firme. O que será que elas celebravam? Ou será que não tinham outra razão além daquela, de estarem ali, bebendo juntas? Já não seria o bastante?
- CENA 2 - O HOMEM SAUDÁVEL.
Três taxistas conversando. Ouvi o papo aos pedaços:
- Mas isso que você tá dizendo aí é como se o Mc Donalds fosse bom pra saúde. Eu não acredito. Não vou comer isso, não.
O que será que o outro cara tinha falado sobre Mc Donalds?
- CENA 3 - ÁGUA PARA A GARRAFINHA DE QUEM TEM SEDE.
Entrei na Livraria da Rodoviária, que adoro. Os livros ficam amontoados. Você vai descobrindo o que tem. Nada contra a super organização da Livraria Cultura, mas esse jeito de sebo de livro novo da Livraria da Rodoviária não tem igual. Além disso, como eles vendem muito livro didático e voltado para o Ensino Médio, é uma boa dica dar uma espiada no que andam ensinando nas escolas. E no caixa sempre tem um monte de coisinhas legais - agendinhas, caixinhas de mensagens, calendários, literatura de cordel. Estava conferindo as agendas para 2010 quando uma senhora, vendedora ambulante entrou na Livraria:
- Moça, tem água pra encher a garrafinha?
Não posso arriscar a idade dela. Pela aparência, eu daria uns 80, mas tinha vitalidade de uns 50. Nunca sei que idade gente sofrida tem. Bom, depois da onda da cirurgia plástica, não dá pra saber nem a idade de quem nada sofreu.
- Deixa eu ver. Fulanooooooo!
Vem o Fulano.
- Você põe água pra ela?
- Não dá. Eles estão consertando ainda o cano.
- Ainda?
- Ainda.
A senhora continuava ali.
- Senhora, desculpa, hoje não tem. Tão consertando ainda.
A senhora despediu-se, foi embora, sorridente.
Ou seja, se não fosse o cano quebrado, eles dariam água pra ela.
Numa cidade tão seca, num mundo com tanta gente de coração rachado feito solo de deserto, esses dois atendentes tentaram, ao menos, ajudá-la. Eu, babaca, fiquei olhando e só depois que sai dali me dei conta: deveria ter perguntado se poderia comprar-lhe água. Já era tarde demais. Ela já tinha ido. Tudo muito rápido. A vida passa rápido.
- A vida passa muito rápido. Mas passa num tempo diferente quando se anda a pé na rodoviária de Brasília.
- A rodoviária é muito mais Brasília. Há nela mais da cidade do que há de Brasília nos ícones daqui, como a Esplanada. Quando a gente fala Brasília todo mundo pensa na Esplanada e nos políticos. Injusto. A rodoviária é que deveria ser Top of Mind, junto com tantos outros lugares e pessoas que são, de fato, a capital do país.
- Para quem não conhece Brasília, talvez valha saber que, quando você está na Rodoviária, você olha para o outro lado e vê a Esplanada/ a Praça dos 3 Poderes. Lá é um pouco triste e deprimente, sim. Você olha e pensa: o que se fez da rodoviária de Brasília, meu deus? Mas também pode ser triste e deprimente olhar para o lado de lá, enxergar os ministérios e monumentos e pensar: e o que é isso que tanta gente faz do Congresso Nacional?
- Seguramente, nem todos aqueles que estão no poder podem ser arremessados no balaio de gatos dos políticos corruptos. Da mesma forma, nem todos que estão na rodoviária são dignos de compaixão. Muitos deles merecem, mais do que tantos senhores e senhoras importantes, o nosso aplauso e o nosso orgulho.
- Cheguei na fila do passaporte. Havia gente bem vestida e com cara de bem alimentada e bem tratada na fila, com características opostas às das pessoas que aguardavam para tirar a carteira de trabalho e de identidade.
- Havia também menos gente na fila do passaporte do que nas demais filas. Óbvio. Saindo de lá, porém, pude ver algumas cenas menos óbvias nos saguões da Rodoviária. Sem trocadilho, eu estava lá na hora em que elas aconteceram.
- CENA 1 - TIM, TIM.
Vi duas mulheres, com talvez 50 anos, andando rápido. É difícil saber a idade de uma alma e de um corpo quando a vida maltratou tanto. Elas passaram por mim apressadas. Estavam sorrindo. Foi tudo muito rápido. Elas cruzaram a minha frente com copos de cerveja na mão. Estavam quase correndo, mas, antes de tomar o primeiro gole, pararam um pouquinho, brindaram, sorriram mais e seguiram no passo firme. O que será que elas celebravam? Ou será que não tinham outra razão além daquela, de estarem ali, bebendo juntas? Já não seria o bastante?
- CENA 2 - O HOMEM SAUDÁVEL.
Três taxistas conversando. Ouvi o papo aos pedaços:
- Mas isso que você tá dizendo aí é como se o Mc Donalds fosse bom pra saúde. Eu não acredito. Não vou comer isso, não.
O que será que o outro cara tinha falado sobre Mc Donalds?
- CENA 3 - ÁGUA PARA A GARRAFINHA DE QUEM TEM SEDE.
Entrei na Livraria da Rodoviária, que adoro. Os livros ficam amontoados. Você vai descobrindo o que tem. Nada contra a super organização da Livraria Cultura, mas esse jeito de sebo de livro novo da Livraria da Rodoviária não tem igual. Além disso, como eles vendem muito livro didático e voltado para o Ensino Médio, é uma boa dica dar uma espiada no que andam ensinando nas escolas. E no caixa sempre tem um monte de coisinhas legais - agendinhas, caixinhas de mensagens, calendários, literatura de cordel. Estava conferindo as agendas para 2010 quando uma senhora, vendedora ambulante entrou na Livraria:
- Moça, tem água pra encher a garrafinha?
Não posso arriscar a idade dela. Pela aparência, eu daria uns 80, mas tinha vitalidade de uns 50. Nunca sei que idade gente sofrida tem. Bom, depois da onda da cirurgia plástica, não dá pra saber nem a idade de quem nada sofreu.
- Deixa eu ver. Fulanooooooo!
Vem o Fulano.
- Você põe água pra ela?
- Não dá. Eles estão consertando ainda o cano.
- Ainda?
- Ainda.
A senhora continuava ali.
- Senhora, desculpa, hoje não tem. Tão consertando ainda.
A senhora despediu-se, foi embora, sorridente.
Ou seja, se não fosse o cano quebrado, eles dariam água pra ela.
Numa cidade tão seca, num mundo com tanta gente de coração rachado feito solo de deserto, esses dois atendentes tentaram, ao menos, ajudá-la. Eu, babaca, fiquei olhando e só depois que sai dali me dei conta: deveria ter perguntado se poderia comprar-lhe água. Já era tarde demais. Ela já tinha ido. Tudo muito rápido. A vida passa rápido.
- A vida passa muito rápido. Mas passa num tempo diferente quando se anda a pé na rodoviária de Brasília.
- Cigarras.
Do blog O Eco
02/10/2009, 17:56
Quem vive na capital federal, no Cerrado, sabe que o canto estridente das cigarras anuncia a chegada do período de chuvas. Depois de passar cerca de um ano enterrados, milhares desses insetos rompem a terra para conhecer a luz do sol na escalada de troncos e arbustos. Logo após trocar a roupagem, partem para intensa cantoria, reprodução e morte. Um ciclo curto de vida. E tudo se repete no ano que vem.
A foto foi feita hoje mesmo pelo repórter Aldem Bourscheit, no Parque Olhos d´Água, em Brasília.
02/10/2009, 17:56
Quem vive na capital federal, no Cerrado, sabe que o canto estridente das cigarras anuncia a chegada do período de chuvas. Depois de passar cerca de um ano enterrados, milhares desses insetos rompem a terra para conhecer a luz do sol na escalada de troncos e arbustos. Logo após trocar a roupagem, partem para intensa cantoria, reprodução e morte. Um ciclo curto de vida. E tudo se repete no ano que vem.
A foto foi feita hoje mesmo pelo repórter Aldem Bourscheit, no Parque Olhos d´Água, em Brasília.
Assinar:
Postagens (Atom)


