charge do carlos ruas,
do blog um sábado qualquer
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Ele disse isso numa entrevista para a Folha em 2009. Reproduzi um trecho abaixo. Antes, dá uma lida nesses comentários que copiei da citação dessa matéria da Folha no Terra (via @jhcordeiro). Parece que o senhor Niemeyer não está sabendo muito bem como falar sobre e com a sua 'filha' depois que ela cresceu. Talvez se a visitasse mais... A matéria do Terra também está abaixo. O tombamento é um tema super polêmico. Ainda vai longe, mesmo que Brasília tenha, por ora, confirmado o título da Unesco. Destaquei em vermelho o que me incomoda mais no discurso dele.
Victor - "
- entrevista para a Folha em 2/2/2009 - aqui
Alvo de críticas desde que apresentou o projeto de construção da Praça da Soberania, em Brasília, o arquiteto Oscar Niemeyer, 101, rebate chamando de uma "besteira" o tombamento da cidade que impede a nova obra, informa nesta segunda-feira reportagem de Denise Menchen, publicada pela Folha (íntegra somente para assinantes do jornal ou do UOL).
"Isso é uma mentira, uma besteira, porque advogados já disseram que eu tenho todo o direito de fazer uma intervenção. (...) Se o Rio fosse tombado, o [ex-prefeito] Pereira Passos não teria feito essa avenida fantástica [Rio Branco] (...) As cidades sempre acabam sendo modificadas, queira ou não queira", disse em entrevista à Folha.
Niemeyer afirma que sua intenção é tirar de Brasília a ideia de que é uma cidade dividida entre pobres e ricos.
"Eu não quero mexer no Plano Piloto, como dizem por aí. O que nós queremos é tirar de Brasília a ideia de que é uma cidade dividida entre pobres e ricos. Os que moram em Brasília moram confortavelmente, em apartamentos bons, com bons serviços. Mas os que moram nas cidades-satélites estão completamente abandonados. É horrível, uma grande favela."
Ele também comentou a proposta de criação de uma comissão de notáveis para assessorar o governo do Distrito Federal nas questões que envolvem a arquitetura e o urbanismo da região.
"A comissão serviria para assessorar o governador sobre o que pode ocorrer em relação ao urbanismo e à arquitetura, para que sejam construídos prédios modernos, com tudo o que falta lá, como escolas, creches, serviços de saúde, centros de diversão e esporte, tudo isso."
Projeto
O projeto da praça da Soberania prevê a construção, no canteiro central do Eixo Monumental de Brasília, de um complexo formado por estacionamento, um memorial aos presidentes e um monumento cuja altura é de cerca de 100 metros.
Pensada como uma homenagem ao cinquentenário de Brasília, a praça acabou virando alvo de polêmica. O superintendente do Iphan no Distrito Federal, Alfredo Gaspal, considerou o projeto ilegal por ferir as regras de tombamento da cidade.
Brasília foi tombada pelo governo distrital em 1987 e pelo governo federal em 1994. Os dois decretos vetam construções no canteiro central do Eixo Monumental.
[ a reportagem completa saiu na Folha impressa]
- matéria do Terra - 2/2/2009
O arquiteto Oscar Niemeyer afirmou durante entrevista que tombar uma cidade é ignorância, pois "sempre aparecem modificações" nas áreas urbanas. Niemeyer disse ainda, durante entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, que é uma besteira pensar em tombar Brasília.
O arquiteto, que falou sobre a polêmica em torno da criação de uma praça no canteiro central da Esplanada dos Ministérios, disse que "se Juscelino (Kubitschek) estivesse vivo, ele ia ficar do meu lado". Segundo Niemeyer, o ex-presidente responsável pela construção da cidade não permitiria que as cidades satélites se transformassem no que chamou de "grandes favelas".
"Os que moram em Brasília moram confortavelmente, em apartamentos bons, com bons serviços. Mas os que moram nas cidades-satélites estão completamente abandonados. É horrível, uma grande favela. É um contraste que nós, arquitetos que nos interessamos por problemas políticos, não podemos aceitar", disse ao defender intervenções na capital do País.
Segundo arquiteto, o projeto criado por ele na verdade pretende acabar com essa divisão entre Brasília e as cidades-satélites através de intervenções e construções de prédios modernos. Niemeyer afirmou, inclusive, que a construção da praça se torna secundária frente a esse problema. "O que nós queremos é tirar de Brasília a ideia de que é uma cidade dividida entre pobres e ricos", disse.
"Uma cidade não pode ser tombada, porque sempre aparecem modificações. Se Paris fosse tombada, não existiria a Champs-Élysées nem o Arco do Triunfo. Se Barcelona fosse tombada, a cidade não teria se voltado naturalmente para o mar. Se Nova York fosse tombada, não existiriam os arranha-céus que ocuparam a cidade horizontal que antes existia. Uma cidade tombada é ignorância. As modificações são inevitáveis, e Brasília ainda vai passar por muitas delas", observou.
Quanto à construção da Praça da Soberania, o arquiteto afirmou que a obra é "indispensável. Toda a cidade tem uma praça mais importante, monumental". "Falta a Brasília uma praça importante, como em todas as cidades do mundo existe. Você vai a qualquer capital do mundo e vê isso, mas em Brasília não", disse. "Brasília está um pouco modesta diante desse país que cresce com tanto entusiasmo", complementou.
Quanto à possibilidade do projeto sair do papel, Niemeyer disse que o projeto "está bem estudado, com tudo resolvido. Agora não é comigo. Minha obrigação é defendê-lo. Se sair, melhor para mim. Se não, dá no mesmo".

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