Niemeyer disse que o tombamento de Brasília é bobagem.

charge do carlos ruas
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Ele disse isso numa entrevista para a Folha em 2009. Reproduzi um trecho abaixo. Antes, dá uma lida nesses comentários que copiei da citação dessa matéria da Folha no Terra (via @jhcordeiro). Parece que o senhor Niemeyer não está sabendo muito bem como falar sobre e com a sua 'filha' depois que ela cresceu. Talvez se a visitasse mais... A matéria do Terra também está abaixo. O tombamento é um tema super polêmico. Ainda vai longe, mesmo que Brasília tenha, por ora, confirmado o título da Unesco. Destaquei em vermelho o que me incomoda mais no discurso dele.

Ana - "Correta a opinião a respeito do tombamento. Todavia, a construção de uma praça (mais uma - frise-se que já existe a praça dos três poderes com uma grande quantidade de monumentos) deveria atender a vontade da população da cidade, e não apenas a do Sr. Niemeyer - que recebe mais de R$ 1 milhão por projeto e é reverenciado como autoridade máxima no que diz respeito a arquitetura da cidade. Ora, as obras de Niemeyer são de beleza inconfundível, mas nada funcionais. Quem já veio à cidade pode conferir o 'Bolo de Noiva' (anexo do Itamaraty, de forma redonda que não possui uma única janela - coisa impensável em tempos de economia de energia), os sinos da Catedral Metropolitana (que não podem 'dobrar' sob o risco de ruir a estrutura de sua base pela vibração), Museu Nacional (belíssima obra, mas de difícil acesso, sem estacionamento e caríssima manutenção pois tem que ser pintada todo ano), o Espaço Oscar Niemeyer (perto da Bandeira Nacional) dentre outras. Muito se fala de Niemeyer e pouco de Lucio Costa - o idealizador do projeto urbanístico da cidade. Se há alguma qualidade de vida por aqui, é graças a concepção urbanística do Sr. Costa. O Sr. Niemeyer ama tanto Brasília, que nem mora aqui... Se a decisão da população for a de se construir uma praça da soberania, que haja uma seleção de projetos arquitetônicos, afinal, o Brasil é um celeiro de talentos nesta área". 


Oliveira Júnior, arquiteto - "Niemeyer não pode comparar o plano piloto à Paris de Hausman, nem ao Rio de Pereira Passos. A realidade e o contexto são totalmente diferentes. Tenho minhas dúvidas quanto ao tombamento da cidade em si, mas me preocupo com a preservação deste inestimável acervo de obras modernas. Aqui em João Pessoa, por negligência dos ógãos de proteção do patrimônio histórico foram aniquiladas importantíssimas obras modernistas.

Niemeyer é uma pessoa inteligentíssima e admirável, porém seu discurso tem denotado muitas contradições e inconsistências. Falar que Brasília é uma cidade de ricos é um fato, mas daí a querer passar a idéia de que o projeto da praça iria diminuir essa segregação é um absurdo. Me espanta ainda o fato dele insistir que Brasília precisa de uma praça pra causar espanto nas pessoas.

Brasília toda por si só já causa um enorme impacto e encantamento aos olhares de qualquer cidadão do mundo. Não precisa acrescentar-lhe mais nada neste sentido.
Também considero deselegante da parte dele diminuir a obra do Lúcio Costa. Como se toda a arquitetura precisasse ser monumental para ser importante. Prefiro a rodoviária, implantada respeitosa e silenciosamente próxima a Esplanada dos Ministério, servindo-lhe de mirante para o espetáculo arquitetônico do brilhante arquiteto, do que a fria e espalhafatosa estrutura de concreto da Soberania".  



Victor - "As cidades-satélite daqui de Brasília não são favela nenhuma, mais respeito com as cidades-satélite(ou Regiões Administrativas), mas concordo que o tombamento aqui é besteira, porém, é difícil você opinar totalmente a favor da construção do obelisco, porque aquilo deixará o simbolismo da Esplanada dos Ministérios em terceiro plano, deveria ficar em algum outro lugar, e concordo com a necessidade de uma maior modernização da cidade". 


Francisco Dutra - "O arquiteto mostra a visão futura ao propor uma obra das dimensões do projeto ora apresentado, porém há de considerar que existe outras prioridades para Brasilia, que torna inviavel a obra, os recursos que seriam gastos nesta construção poderiam ser aplicados no Sistema de Transporte coletivo desta Capital." 



- entrevista para a Folha em 2/2/2009 - aqui


Alvo de críticas desde que apresentou o projeto de construção da Praça da Soberania, em Brasília, o arquiteto Oscar Niemeyer, 101, rebate chamando de uma "besteira" o tombamento da cidade que impede a nova obra, informa nesta segunda-feira reportagem de Denise Menchen, publicada pela Folha (íntegra somente para assinantes do jornal ou do UOL).

"Isso é uma mentira, uma besteira, porque advogados já disseram que eu tenho todo o direito de fazer uma intervenção. (...) Se o Rio fosse tombado, o [ex-prefeito] Pereira Passos não teria feito essa avenida fantástica [Rio Branco] (...) As cidades sempre acabam sendo modificadas, queira ou não queira", disse em entrevista à Folha.

Niemeyer afirma que sua intenção é tirar de Brasília a ideia de que é uma cidade dividida entre pobres e ricos.

"Eu não quero mexer no Plano Piloto, como dizem por aí. O que nós queremos é tirar de Brasília a ideia de que é uma cidade dividida entre pobres e ricos. Os que moram em Brasília moram confortavelmente, em apartamentos bons, com bons serviços. Mas os que moram nas cidades-satélites estão completamente abandonados. É horrível, uma grande favela."

Ele também comentou a proposta de criação de uma comissão de notáveis para assessorar o governo do Distrito Federal nas questões que envolvem a arquitetura e o urbanismo da região.

"A comissão serviria para assessorar o governador sobre o que pode ocorrer em relação ao urbanismo e à arquitetura, para que sejam construídos prédios modernos, com tudo o que falta lá, como escolas, creches, serviços de saúde, centros de diversão e esporte, tudo isso."


Projeto

O projeto da praça da Soberania prevê a construção, no canteiro central do Eixo Monumental de Brasília, de um complexo formado por estacionamento, um memorial aos presidentes e um monumento cuja altura é de cerca de 100 metros.
Pensada como uma homenagem ao cinquentenário de Brasília, a praça acabou virando alvo de polêmica. O superintendente do Iphan no Distrito Federal, Alfredo Gaspal, considerou o projeto ilegal por ferir as regras de tombamento da cidade.

Brasília foi tombada pelo governo distrital em 1987 e pelo governo federal em 1994. Os dois decretos vetam construções no canteiro central do Eixo Monumental.

[ a reportagem completa saiu na Folha impressa]


- matéria do Terra - 2/2/2009



Tombamento de Brasília 

é uma besteira, 

diz Niemeyer
02 de fevereiro de 2009  08h15


O arquiteto Oscar Niemeyer afirmou durante entrevista que tombar uma cidade é ignorância, pois "sempre aparecem modificações" nas áreas urbanas. Niemeyer disse ainda, durante entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, que é uma besteira pensar em tombar Brasília.
O arquiteto, que falou sobre a polêmica em torno da criação de uma praça no canteiro central da Esplanada dos Ministérios, disse que "se Juscelino (Kubitschek) estivesse vivo, ele ia ficar do meu lado". Segundo Niemeyer, o ex-presidente responsável pela construção da cidade não permitiria que as cidades satélites se transformassem no que chamou de "grandes favelas".
"Os que moram em Brasília moram confortavelmente, em apartamentos bons, com bons serviços. Mas os que moram nas cidades-satélites estão completamente abandonados. É horrível, uma grande favela. É um contraste que nós, arquitetos que nos interessamos por problemas políticos, não podemos aceitar", disse ao defender intervenções na capital do País.
Segundo arquiteto, o projeto criado por ele na verdade pretende acabar com essa divisão entre Brasília e as cidades-satélites através de intervenções e construções de prédios modernos. Niemeyer afirmou, inclusive, que a construção da praça se torna secundária frente a esse problema. "O que nós queremos é tirar de Brasília a ideia de que é uma cidade dividida entre pobres e ricos", disse.
"Uma cidade não pode ser tombada, porque sempre aparecem modificações. Se Paris fosse tombada, não existiria a Champs-Élysées nem o Arco do Triunfo. Se Barcelona fosse tombada, a cidade não teria se voltado naturalmente para o mar. Se Nova York fosse tombada, não existiriam os arranha-céus que ocuparam a cidade horizontal que antes existia. Uma cidade tombada é ignorância. As modificações são inevitáveis, e Brasília ainda vai passar por muitas delas", observou.
Quanto à construção da Praça da Soberania, o arquiteto afirmou que a obra é "indispensável. Toda a cidade tem uma praça mais importante, monumental". "Falta a Brasília uma praça importante, como em todas as cidades do mundo existe. Você vai a qualquer capital do mundo e vê isso, mas em Brasília não", disse. "Brasília está um pouco modesta diante desse país que cresce com tanto entusiasmo", complementou.
Quanto à possibilidade do projeto sair do papel, Niemeyer disse que o projeto "está bem estudado, com tudo resolvido. Agora não é comigo. Minha obrigação é defendê-lo. Se sair, melhor para mim. Se não, dá no mesmo".

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