Escada enrolante. Por Daniel Cariello.

" Quando decidi voltar pra Brasília, vim preparado pra ter uma vida completamente diferente da que levava em Paris. Pra precisar de carro, pra não ver gente nas ruas, pra voltar a usar camiseta como vestimenta do dia a dia, pra encarar com indiferença as tempestades tropicais que na França seriam tomadas como a chegada do apocalipse. Só não me preparei para as escadas rolantes.

- Dá uma licencinha?
- Hã?
- Chegadinha pro lado, pra eu passar.
- Passar como?
- Passar passando, ué.
- Você não tá vendo que estou aqui parado?
- Tô. E é por isso mesmo que eu quero passar.
- Estamos em uma escada rolante.

- Você não tá vendo que... "
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* mesmo lá fora, em que a cultura do "cede passagem" é mais forte, estão sempre batendo nessa tecla: não obstrua o fluxo, keep right, keep left... a gente pode até discutir em que medida isso se torna mais urgente numa cultura/cidade mais individualista, egoísta e outros istas. a imagem abaixo é de uma campanha do metrô de lisboa * não curto essa abordagem (sai da frente urso, quem não sai é urso etc...), mas pela importância do fluxo nas escadas nos intermináveis metrôs das  grandes cidades, pautar esse tema é super importante, não só por questões de segurança, mas também de boa convivência. em brasília, certamente esse não é o maior problema de mobilidade, mas escadas - e isso inclui as escadas rolantes da rodoviária - a falta delas, sua estrutura excludente (sem rampa), são graves e gigantes problemas de mobilidade em qualquer cidade. em brasília, pelas características particulares da sua arquitetura e estilo "automobilístico" de vida esse problema só se torna ainda pior. ]


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