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SEGUNDA-FEIRA, 20 DE ABRIL DE 2009
De Olival Júnior, morador de Brasília.
Levo o carro para passear na madrugada de domingo. Às 2h todos parecem estar saindo dos lugares e indo pra casa. Carros solo, levando apenas seu motorista, se apressam para o descanso.
E eu não tenho descanso.
Eu vejo quadras vazias, sós como eu. Frias. Enigmáticas. Aqui e ali luzes acesas em apartamentos diversos. Ora no primeiro, ora no sexto. Ou mesmo um quinto andar. O que fazem ali que carecem dessa luz? O que queria eu estar fazendo agora?
Sei onde queria estar.
O Eixão é sublime quando deserto. Uma estrada para lugar algum. Outra via para transpor as mágoas. Alguns meditam ouvindo sons da natureza. Eu medito ouvindo uma playlist cuidadosamente selecionada de forma completamente aleatória. Dentro do meu carro. Andando abaixo da velocidade limite do Eixão.
Janelas abertas no meio da madrugada.
Sinto o vento frio e fico feliz. Eu sinto algo. Eu sinto frio. E prossigo tomando o rumo de casa. Meu carro me leva. Sozinho. Rumo de casa. Perco a saída do Eixão. Prossigo adiante.
A Lua crescente (ou mingante?) parece o Sorriso do Gato de Alice a pairar sobre o Lago. Lua Amarela. Sorriso Amarelo. Seria o Gato um fumante inveterado? Seus dentes já podres e amarelos da fumaça e da nicotina?
E me cansei. Chego em casa. Checo o computador. No programa de mensagens instantâneas sua mensagem. Tarde demais para responder. Você já se foi.
Tarde demais pra nós dois.
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