A pé nas 400. Asa Norte.


Ai, ai, ai...





RUTH DE AQUINO - 26/10/2012 22h42 - Atualizado em 26/10/2012 22h42
TAMANHO DO TEXTO

A bandalha dos ciclistas

RUTH DE AQUINO
Enviar por e-mail
|
Imprimir
|
Comentários
RUTH DE AQUINO  é colunista de ÉPOCA raquino@edglobo.com.br (Foto: ÉPOCA)
Fui atropelada por um ciclista na calçada do Leblon, no Rio de Janeiro. Estava parada, falando ao celular. Ele levava a namorada de shortinho no guidão. Se eu tivesse 20 anos e uma garota com aquelas pernas no meu campo visual, provavelmente não enxergaria mais nada. Além de bater na minha coluna lombar, ele foi levando com o guidão minha roupa e, por isso, parou. Pediu desculpas.
“Fazer o quê? Desculpo. Mas você sabia que é proibido pedalar no espaço de pedestres?”, falei. Entrou por um ouvido, saiu pelo outro. Ele continuou rumo à orla, para gozar a luz extra do horário de verão, a ansiedade e os hormônios a 40 graus, em ensaio para a estação de gala do Rio. Uma estação de delícias e dores. Algum ciclista, naquele exato instante, poderia estar atropelando numa calçada sua mãe, sua avó, sua irmãzinha pequena.
Os ciclobandalheiros imperam em muitas cidades grandes do Brasil. Eles reclamam dos ônibus, dos carros ou das vans irresponsáveis. Evitam o asfalto – mesmo a duas quadras de uma ciclovia com vista para o mar. E ferram os pedestres. Pedestre não vem de fábrica com setinha ou luz de freio. Dispõe, pela lei, de um espaço só dele, onde a velocidade é das pernas. Tem direito de mudar a direção subitamente, sem verificar se um veículo sobre rodas passará por cima dele.
As calçadas do Rio estão coalhadas de ciclistas que transformam pedestres em alvo de manobras arriscadas. Nós somos os obstáculos, invasores inconvenientes de nosso território.
A praia no verão é o retrato mais acabado da democratização do espaço carioca, especialmente com o metrô. Os ciclistas repetem o padrão. Patricinhas, mauricinhos, peruas, executivos, atletas, profissionais liberais, vendedores de celular, entregadores de pizza, moradores de comunidades (ex-favelados), todos se locupletam na bandalha, com bicicletas de todos os calibres e, agora, as elétricas.
Foi, portanto, com aplausos que, no domingo passado, o carioca recebeu a Guarda Municipal no calçadão de Ipanema e Leblon. É uma festa aquela pista dedicada ao lazer, fechada aos carros. Lazer barato numa cidade cada vez mais cara. O cortejo de carros da polícia, com guardas munidos de cassetetes caminhando à frente, mandava ciclistas para a ciclovia.
O motivo da ação foi o número de queixas da população. Bicicletas e skates tornam aquele espaço perigoso para a caminhada dominical. Vira pista de corrida e esportes radicais. A maioria da população está longe de ser “radical” – e gosta de ordem.
Fui atropelada por uma bicicleta na calçada. Qual seria a dosimetria para os ciclobandalheiros? 
“O Rio não pode perder sua espontaneidade e alegria, mas não pode ser eternamente a capital da esculhambação”, disse a ÉPOCA o prefeito Eduardo Paes. “O espaço público não pode ser privatizado, nem pelos próprios indivíduos. Acabamos com a zona das Kombis velhas estacionadas com mercadorias na orla, ao instituir o Choque de Ordem há dois verões. Começamos a organizar os quiosques. Agora, os gestos de civilidade são uma questão de educação, cultura e convívio urbano.”
Como os ciclistas se comportam bem em Washington, Nova York, Paris e Londres, penso: qual seria a dosimetria para os ciclobandalheiros do Rio? Dosimetria, como todos já sabem, é o jargão juridiquês dos supremos de capa preta que invadiram nossa data venia de botequim. É o “cálculo de penas”.
Se advertências não impedem a bandalha de acostamento nas estradas, os passeios da Guarda Municipal não coíbem ciclistas infratores. Um dia de apreensão de “bikes” bandalheiras poderia servir de educação. Perdeu, parou, confiscou. Ciclismo é prática saudável, transporte limpo, o prefeito estimula, o clima do Rio ajuda. Mas, por favor, na ciclovia, porque o nome já diz tudo.
Paes ficou abalado com a guerra do jogo de futebol conhecido como “altinho” – a antiga linha de passe – no Posto 9, em Ipanema. O local é um reduto dos jovens contra a lei que proíbe jogar bola na beira do mar entre as 8 e as 17 horas. O paredão dos “altinhos” torna um risco mergulhar ou andar na areia. Os donos do território desafiaram a ordem da Guarda Municipal. O vídeo no YouTube mostrou uma batalha campal bem feia, com palavrões e agressões. Cocos, barracas e cadeiras foram arremessados contra os guardas. E os guardas usaram força bruta inadmissível. “Foi um erro dos guardas”, diz o prefeito. “Perderam a razão ao se nivelar. A Guarda Municipal precisa agir com educação, não pode perder o controle.”
O “altinho” migrou do Posto 9 para o Posto 8. E o lixo e os cães? Não é preocupação de elite. Praia é de graça. É no verão que os jet skis à beira d’água matam criancinhas, e as lanchas matam ou aleijam banhistas. É no verão que os cães, o lixo e os restos de comida tornam nossa areia imprópria. Bactérias causam diarreia e micoses. As areias de Copacabana e do Leblon continham, em outubro, mais fezes de cachorro e lixo que a areia do Piscinão de Ramos. É o subúrbio ensinando boas maneiras à Zona Sul. Vamos baixar a dosimetria nos bandalheiros do verão.    
* dica do Penna * 

Um leitor verde.

Ontem descobri, por acaso, 
um blog vegan beeeem legal. 
É um guia comentado
sobre endereços e pratos em Brasília.
Super dica pra quem ou é dessa turma
ou curte experimentar:
http://DistritoVegetal.wordpress.com/
Também no Facebook 
clica na simpática garota-propaganda abaixo
Acredita que o povo fofo que faz esse blog 
já conhecia o A pé em Brasília? 
[ óimmm ---->  coraçõazinho com as mãos]

Postei o link agora mesmo no
Blogs de Norte a Sul, aqui, no menu à direita.
Tem mais blogs legais listados.
Dá uma olhada --->

Brasília pára na Faixa de Pedestre há 15 anos. No entanto...




Em Brasília, na histórica briga entre carros e pedestres, os primeiros sempre levaram a melhor. Os contornos da cidade foram pensados nos anos 1950, época em que ainda se acreditava que o automóvel deveria reinar absoluto nas cidades.
A reviravolta está completando 15 anos. Em 1997, as autoridades da capital federal concluíram que era um absurdo que os pedestres, antes de atravessar a rua, fossem obrigados a dar passagem para os carros.
Decidiram inverter a preferência. Para isso, destacaram agentes de trânsito para as faixas de pedestre sem semáforo. Nessas travessias, bastaria que as pessoas estendessem o braço para que os carros freassem. Nas faixas com semáforo, nada mudaria — o verde, o amarelo e o vermelho continuaram ditando os movimentos.
Nos primeiros meses, os motoristas que ignoravam o sinal com o braço recebiam advertência. Depois, passaram a receber multa. Hoje, sem grandes traumas, os brasilienses adquiriram o hábito do sinal. Já não é necessária a presença dos agentes. O primeiro carro freia para o pedestre em 85% das vezes.
Lembra o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que 15 anos atrás era o governador do Distrito Federal. "Ouvia que era uma loucura, um tiro no pé, que eu seria responsabilizado por uma onda de atropelamentos".
Nada disso aconteceu. O grande segredo foram as campanhas educativas nas escolas. As crianças cobravam dos pais que dessem e respeitassem o sinal.
Outras cidades seguiram o exemplo. Teresina deu início nesta semana a sua campanha de trânsito. Em Florianópolis, o gesto já pegou. Nas principais cidades da região metropolitana de São Paulo, as prefeituras estão no meio de uma ofensiva para esclarecer pedestres e motoristas. Porém, apesar dos esforços para a conscientização, nem todos os motoristas respeitam quem está a pé.
Na capital paulista, de acordo com um estudo feito há dois meses, o primeiro carro para ao sinal em 30% das vezes. Não é pouco se for comparado com os 10% que se registravam no início de 2011, no início da campanha.
Desde agosto do ano passado, 42 mil condutores foram multados - em média 100 por dia. Muitos paulistanos ainda relutam em fazer o gesto, principalmente por vergonha.

Lei ignorada
Para dar prioridade ao pedestre, nenhuma dessas cidades precisou criar lei. Simplesmente puseram em prática um dispositivo do Código de Trânsito Brasileiro que sempre fora negligenciado. O artigo 214 diz que é infração gravíssima não dar preferência ao pedestre na faixa e castiga o motorista infrator com multa de R$ 191,54 e perda de 7 pontos na carteira (com 20 pontos, fica proibido de dirigir por um ano).
O Senado estuda um projeto de lei que inclui o gesto com o braço no Código de Trânsito (PLC 26/2010). A ideia da ­deputada que redigiu a proposta, Perpétua Almeida (PCdoB-AC), é fazer esse sinal valer no país inteiro. Antes de decidir-se pelo gesto de estender o braço, o governo do Distrito Federal  cogitou a hipótese de adotar bandeirinhas, que ficariam em caixas nos dois lados da faixa. Quando quisesse atravessar, o pedestre tremularia uma delas. O projeto da deputada está na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado, esperando a escolha do relator.
Em Brasília, há “regras de etiqueta” no trânsito. Os pedestres devem estender o braço com a mão aberta e movimentá-lo como se estivessem chamando um ônibus. O braço precisa estar visível para o motorista. Eles só devem começar a atravessar depois que os carros já estiverem parados. Os motoristas, por sua vez, devem buscar frear lentamente. Uma parada brusca pode causar um engavetamento. Outra medida é acionar o pisca-alerta, para avisar ao carro de trás que há um pedestre na frente. Os motoristas só devem arrancar depois que o pedestre já tiver chegado ao outro lado da rua.

Abusados
Os 15 anos de sucesso não querem dizer que a guerra entre carros e pedestres em Brasília acabou definitivamente. Ainda é comum que um lado acuse o outro de dificultar o convívio. Queixa-se o funcionário público Luciano Obliziner.
"Ergui o braço, o carro parou e comecei a atravessar. Quando eu ainda estava na faixa, ele avançou na maior velocidade e quase passou por cima de mim. Um desrespeito inaceitável. Foram uns 50 centímetros de distância. Cheguei a sentir o vento", relata.
O taxista José Furtado argumenta que os motoristas nem sempre são os vilões. "Certas pessoas entram na faixa de repente, de qualquer jeito, e não dão o sinal. As mais abusadas atravessam falando ao celular, sem olhar para o lado. Já bateram duas vezes na traseira do meu táxi porque tive que frear de repente", comenta.
Em São Paulo, o número de atropelamentos caiu. No primeiro semestre deste ano, 266 pedestres morreram. No mesmo semestre do ano ­passado, haviam sido 325. Vendo os avanços, Luiz de Carvalho Montans, gerente de segurança de trânsito da Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET-SP), acredita que é apenas uma questão de tempo para que as pessoas comecem a respeitar a faixa naturalmente.
"Até alguns anos atrás, víamos muitos carros furando o sinal vermelho, motoristas ignorando o cinto de segurança, carros parando em cima da faixa. Quando olhamos para tudo isso lá atrás, nos damos conta de como estávamos atrasados. No futuro vamos olhar com a mesma surpresa o fato de hoje tantos carros ainda não respeitarem o direito do pedestre de atravessar a rua", defende.

As cigarras rock´n´roll de Brasília.



Ninguém pensa em cigarra quando pensa em Brasília. Mas nessa época do ano esse é o som da cidade. Dizem que Brasília é a capital do rock. Vai ver que é por isso que elas vêm para cá com as suas bandas. Talvez aqui não achem que o som que elas fazem seja só barulho. E nem precisa pedir bis: as cigarras não param mesmo!

A pé no CCBB.

23/10/2012 06h30 - Atualizado em 23/10/2012 07h47

Estátuas ocupam 
área central 
em Brasília.

Elas integram a mostra 'Corpos presentes', em cartaz a partir desta terça.
CCBB construiu novo pavilhão para receber trabalhos de Antony Gormley.

Jamila TavaresDo G1 DF
Comente agora
Escultura de Antony Gormley na plataforma superior da Rodoviária do Plano Piloto, em Brasília (Foto: Jamila Tavares / G1)Escultura de Antony Gormley na plataforma superior da Rodoviária do Plano Piloto, em Brasília (Foto: Jamila Tavares / G1)
Instalada na plataforma superior da Rodoviária do Plano Piloto, a estátua de ferro fundido parece observar a Esplanada dos Ministérios. Ela é parte da primeira exposição de Antony Gormley em Brasília, “Corpos Presentes – Still Being ”, que ocupa até janeiro todas as galerias do  Centro Cultural Banco do Brasil.
A mostra entra em cartaz nesta terça-feira (23) e é uma retrospectiva que relembra os quase 40 anos de carreira do inglês. Para receber o trabalho daquele que é considerado um dos maiores artistas plásticos da atualidade, o CCBB construiu um pavilhão novo em seu jardim, perto do Lago Paranoá.
Esculturas de Gormley também podem ser vistas na Esplanada dos Ministérios e perto da Ponte JK. Em Brasília, o artista decidiu não instalar as peças da série “Four times” em cima de prédios como fez em São Paulo, Rio de Janeiro, Londres e Nova York. A escolha se deu devido à admiração que Gormley tem pelo trabalho de Oscar Niemeyer e pelo desenho urbano da cidade, que privilegia a observação do horizonte.
“Eu fiquei muito impressionado com Brasília, é uma espécie de obra de arte com pessoas vivendo nela. É triste que seja uma cidade construída para quem tem carro, não é uma cidade amigável para quem anda, mas ainda assim as pessoas me parecem bastante felizes vivendo aqui.”
Ao todo, “Corpos Presentes” é formada por 11 instalações, além de fotografias, vídeos e maquetes. Dizer que a obra de Gormley trata sobre a tensão entre o corpo e o espaço que o cerca já se tornou senso comum – e, como toda afirmação gasta pelo uso, a frase reúne ao mesmo tempo uma noção incompleta do trabalho do artista inglês e uma interpretação simples, mas de fácil compreensão da reflexão que ele desenvolve há quatro décadas.
O corpo é a base da maior parte das obras da exposição, mas ele aparece configurado em formas diversas e por vezes subliminar. Em “Flesh”, a percepção da presença humana é sutil, já que o corpo se insinua dentro de um bloco concreto armado em forma de cruz. Já em “Mother’s Pride IV” a silhueta de um homem é esboçada com base em mordidas em fatias de pão de forma.
Escultura sempre foi um trabalho feito de forma coletiva. Elas vão com o meu nome, mas não poderia fazer nada disso sem colaboração"
Antony Gormley
No caso de “Drift”, o artista extrapola os limites do corpo para representar um ser humano feito de bolhas. “É como se o homem fosse uma nuvem, um corpo livre, sem fronteiras. A pele como o limite do corpo é uma ilusão”, opina o artista.
Na avaliação do curador da mostra, Marcello Dantas, a reflexão sobre um mesmo tema ao longo dos anos permitiu que Gormley explorasse os limites da arte contemporânea.
“Ele é um dos grandes escultores vivos hoje, com obras em quase todos os grandes museus do mundo. E teve um papel muito importante em redefinir o que é a imagem do corpo (...) O que existe no trabalho dele é uma unidade temática, o que faz com que você possa lidar facilmente com a enorme diversidade de linguagens que ele trabalha. A ideia central está claramente definida, então ele pode passear naquilo que é a arte de fato.”
Um campo amazônico
“É uma reversão do objeto e do sujeito (...) Cada uma tem um caráter próprio, um sentimento próprio, cada uma é uma celebração da individualidade e da união.”
As esculturas foram feitas por mais de cem moradores da capital de Rondônia no início dos anos 90, quando Gormley visitou o país pela primeira vez para acompanhar a Eco-92.
Em Londres, Gormley conta com uma equipe de 20 pessoas na manufatura de suas obras. “Escultura sempre foi um trabalho feito de forma coletiva. Elas vão com o meu nome, mas não poderia fazer nada disso sem colaboração”, afirma.
Ocupando o novo pavilhão do CCBB, “Critical Mass” é o maior destaque da mostra. A instalação é formada por 60 esculturas feitas de ferro fundido, todas foram feitas com base no corpo do próprio Gormley. “Por que usar outro corpo se tenho o meu?”, questiona e explica o artista.
Brasília é a última cidade brasileira a receber a exposição. Em São Paulo e no Rio, as peças de “Four times” sofreram intervenções como adesivos de time e sacos plásticos. Antes mesmo da inauguração, uma peça instalada perto do Palácio do Planalto também foi alvo de uma ação inesperada: a estátua foi enterrada.
“É uma resposta natural. As pessoas não pediram por essas esculturas em seu espaço urbano, então é uma resposta plausível e divertida”, opina Gormley.
A mostra fica em cartaz no CCBB até 6 de janeiro, com visitação gratuita de terça-feira a domingo, de 9h às 21h.
Obra de Antony Gormley no Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília (Foto: Jamila Tavares / G1)Obra de Antony Gormley no Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília (Foto: Jamila Tavares / G1)

Agefis e Novacap fazem operação surpresa e revoltam moradores da Asa Sul.



Correio - Publicação: 22/10/2012 13:06 Atualização: 22/10/2012 20:57

Grades e muretas que impedem a passagem de carros e pedestres são retirados pela Agefis (Edilson Rodrigues/CB/D A Press)
Grades e muretas que impedem a passagem de carros e pedestres são retirados pela Agefis
Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis) e a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) realizaram às 9h desta segunda-feira (22/10), uma operação surpresa para retirar grades e muretas colocadas de forma ilegal na quadra 208 da Asa Sul. Cerca de 20 homens participaram da operação.
Os moradores e síndicos dos prédios já haviam sido notificados pela Agefis, mas não sabiam o dia em que a agência compareceria ao local. Três dos 11 prédios do local tiveram as grades e muretas retiradas.

Leia mais notícias em Cidades

No bloco E e no bloco G, a retirada ocorreu de forma pacífica, entretanto, no bloco H houve uma confusão, já que apesar de terem sido notificados, os moradores do prédio alegaram que haviam entrado com recurso administrativo na Justiça, e que o caso ainda estaria em andamento, o que impossibilitaria a ação dos órgãos. Alguns moradores entraram na frente dos agentes tentando impedir a retirada da mureta, mas não conseguiram impedir a derrubada.

A Agefis anunciou que as muretas e as grades não estavam no recurso feito pelos moradores, apenas o bicicletário que não foi retirado pela agência. O coordenador da Agefis, Roberto Gonçalves, relatou que os 11 blocos da quadra possuem irregularidades, mas o órgão só conseguiu liberação da justiça para agir em três deles.

Confira reportagem da TV Brasília:
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2012/10/22/interna_cidadesdf,329410/agefis-e-novacap-fazem-operacao-surpresa-e-revoltam-moradores-da-asa-sul.shtml



Saiba mais...
 Agefis já recolheu quase 29 mil faixas irregulares no Distrito Federal Agefis aumenta fiscalização em bares que funcionam ilegalmente no DF Três quiosques abandonados no Gama são removidos pela Agefis nesta terça Agefis e Novacap derubaram muretas construídas ilegalmente em quadra da Asa Sul. O quebra-quebra gerou revolta dos moradores. Você é a favor ou contra a construção de barreiras nos pilotis?

Estar na rua – que perigo!


Estar na rua – que perigo!

De volta à escrita, voltei a subir a Ladeira da Barra, esses dias. Fui até a Vitória pegar umas roupas de minha esposa que ficaram na casa de uma amiga.
Ela me disse que uma mochila bastaria.
No meio do caminho a bicicleta implorou por cuidados e manutenção. O passador de marcha das coroas quebrou, deixou de responder, e a lanterna dianteira apagou, sem bateria. Eram 20h40, se não me engano. Cheguei no prédio, me identifiquei, pedi as roupas e era um sacolão de roupas enorme. Duvidei que fosse caber tudo na mochila e de fato não coube. E agora? E agora? Olha a cena: de noite, na calçada, de bermuda, camiseta e chinelos tirando roupas de um sacolão e colocando numa mochila. As roupas até couberam, mas tinham dois pares de sapato, que foram depositados em sacolas de supermercado para irem pendurados no braço, fora da mochila.
Enquanto fazia a minha transferência, uma senhora saiu do prédio, foi até o carro. Hesitou antes do portão e fez uma leitura detalhada da minha pessoa. Não entendeu o que era aquele sujeito com aquele capacete horroroso tirando roupas de um lugar colocando no outro, estaria ela correndo perigo? Seria seguro? O que está acontecendo aqui? Resolvi ajudar: “Boa noite”. Ela não baixou a guarda, desconfiada, foi ao carro sem me responder. Alerta. Manobrou, e mesmo indo embora ainda deu uma última olhada para tentar entender o que diabos estava acontecendo ali que ela não entendia.
Na rua, antes de tudo, está o perigo.
As pessoas acreditam fielmente nisso. É um perigo tão grande que não pode ser enfrentado. Nunca. Apenas evitado. E quando eu digo “na rua”, não é dentro do carro. O carro é “dentro”. É uma extensão da sua casa. O perigo está naquele breve momento de tensão entre o carro e a porta de casa. Aimeudeus. Tudo pode acontecer. Já pensou? JÁ PENSOU?
Não estou dizendo que não existe perigo nenhum na rua. Existe. Eu fui assaltado na Pituba, na Graça, na própria Vitória, no IAPI, na Federação, em Recife… Eu já fui bastante assaltado. E é preciso reagir a este estado de coisas. A questão é: como? A resposta da nossa classe média (e de muitas outras classes médias) é: evitar a rua. Assinar uma TV a cabo, pedir uma pizza pelo telefone e não deixar jamaaaais o entregador subir no prédio, evitar este local perigoso que é a rua.
A rua, no entanto, é um lugar muito grande, para se temer de forma assim tão generalizada. É como ter medo de negros – que tem gente que tem – é muito negro nessa cidade. Seria viver em constante pavor. Que tem gente que vive. Que opta por viver assim.
A postura dos bairros populares é precisamente oposta. No Uruguai, no Vale das Pedrinhas, em Santa Cruz, na Boca do Rio, tem sempre gente na rua. Ocupando os espaços  da rua o tempo inteiro. E isso torna as ruas seguras. Eu gostava muito de morar no Garcia, porque, com um boteco a cada 200 metros, você tem movimento até bem tarde no bairro inteiro, e dá para fazer longos percursos andando a quase qualquer hora. E o perigo surge exatamente onde o movimento cessa. No deserto, sem ninguém para ver ou acudir, cria-se a oportunidade do perigo. Abandonar a rua é torná-la um perigo.
Então o desejo da classe média é esse: eu não ocupo a rua, eu não vou à praça, eu não falo com o meu vizinho, mas exijo que tenha polícia e “segurança” (seja lá o que isso signifique) em todos os lugares para que, quando eu decidir sair, não correr o risco de enfrentar nenhum contratempo. E enquanto isso compartilho no twitter com os meus amigos onde estão as blitz para a gente poder burlar a lei em paz. Essa postura é se colocar fora da equação da cidade. Da cidadania. É querer ser consumidor da cidade e só. “Salvador é uma merda porque não tem show do artista X”, ou porque não tem a loja tal ou serviço Y. Salvador ELES. Esse discurso nunca surge no NÓS Salvador. A Salvador ELES me atende mal, é isso, é aquilo, é não sei o quê mais.
Que merda, hein?
Daí a senhora vai andar 10 metros entre o portão e o carro e fica toda tensa avaliando o que é aquela pessoa ali mexendo em umas roupas. Mesmo com um porteiro ali, do lado dela. Porque, até provar que não, eu sou um perigo.
Andando de bicicleta você está sempre muito mais exposto – além de receber vários olhares desconfiados não apenas de senhorinhas. E você se obriga, aos poucos, a mudar esse padrão: a princípio as pessoas não são um perigo. A princípio, são pessoas. Ponto.